Foram enterrados ontem pela manhã, no mausoléu dos heróis da Polícia Militar, no Cemitério Jardim do Ypê, os corpos dos policiais Paulo Henrique Domingues, Rudimar de Oliveira Camargo, Antonio Henrique Dainezi e Anderson Mesquita de Silva, mortos na sexta-feira num acidente na rodovia Castello Branco, na região de Sorocaba.
Os PMs estavam indo para São Paulo para passar por exames no Hospital da Polícia Militar quando a viatura que os conduzia colidiu com a traseira de um caminhão que transportava tijolos. Mais 28 veículos se envolveram em acidentes distintos por causa da neblina e do engavetamento naquele ponto da rodovia.
Os corpos dos policiais militares Alci Gonçalves de Oliveira e João Antunes Santos Filho, que também viajavam na viatura da PM de Bauru, foram sepultados em Iacanga e São Paulo, respectivamente.
Segundo informações da PM, o soldado Roberto da Silva, único sobrevivente do veículo, está internado em observação na Santa Casa Municipal de Itu com uma fratura grave no fêmur, mas que não oferecer risco para sua vida.
Os corpos dos policiais Domigues, Camargo, Dainezi e Silva chegaram a Bauru por volta da meia-noite de sexta-feira e foram velados na sede da Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Todos os caixões foram cobertos com a bandeira brasileira. Segundo a assessoria de comunicação da PM, cerca de 3 mil pessoas passaram pelo velório durante a madrugada e pela manhã.
Por volta das 9h de ontem, os corpos foram conduzidos em cortejo até o Cemitério Jardim do Ypê, passando pelas ruas 12 de Outubro, Boa Esperança, Araújo Leite, Antônio Alves, Julio Maringoni e Rio Branco e as avenidas Comendador José da Silva Martha e José Vicente Aiello.
A organização da PM, que colocou um guarda em cada cruzamento movimentado do trajeto, fez com que a cidade parasse por alguns momentos para prestar uma última homenagem aos policiais mortos. Muitas pessoas ficaram nas calçadas em frente às suas casas e locais de trabalho para acompanhar o cortejo, que contou com dezenas de carros da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros.
Honras militares
No cemitério, centenas de parentes, amigos e companheiros de trabalho das vítimas do acidente aguardavam a chegada dos corpos. Entre eles estava o comandante geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo, coronel Alberto Silveira Rodrigues, que veio da capital para o sepultamento.
Os PMs mortos receberam honras militares e foram saudados com uma salva de 21 tiros. Em seguida, os corpos foram depositados - após o toque de silêncio do corneteiro da banda da PM - no mausoléu dos heróis da Polícia Militar, destinado a guardar os restos mortais dos militares que faleceram em serviço. O mausoléu de Bauru foi criado em 1996 e até hoje ontem não havia sido usado.
Em seu discurso no momento do sepultamento, o coronel Helder Pereira, comandante do Comando de Policiamento do Interior (CPI-4), lembrou que a tragédia ocorrida com os policiais é dolorosa não só para os familiares e amigos, mas também para o comando da organização militar, que se sente responsável pelos policiais que formam o que chamou de “a grande família da PM de São Paulo “.
“Assistimos uma tragédia, a perda de vidas humanas representa um sofrimento para todos... Mas é necessário acreditar e aceitar os desígnios de Deusâ€, disse Pereira.
O comandante geral da Polícia Militar do Estado entregou as bandeiras do Brasil que cobriam os caixões para as famílias dos PM mortos e se solidarizou com elas. Segundo Rodrigues, a PM perdeu 6 pessoas de bem, 6 bons funcionários. Ele se referiu aos policiais como heróis e afirmou que as famílias devem ter orgulho deles.
“Quem deve estar muito mais triste do que todos nós é a comunidade de Bauru, que perdeu 6 guerreiros, 6 companheiros que não mediram esforços e cumpriram seu juramento de ir até o fim em suas missões mesmo que para isso tivessem que entregar as suas vidasâ€, afirmou o coronel.
De acordo com o 1º tenente Daniel Correia de Godoy, oficial de relações públicas do CPI-4, a seção de justiça e disciplina da PM esteve no local do acidente e deve instaurar uma sindicância para apurar as causas do acidente. O prazo para a conclusão das investigações é de 30 dias.
Vítimas do acidente continuam internadas
Seis das 13 pessoas que ficaram feridas gravemente na seqüência de acidentes ocorridos na madrugada de sexta-feira na rodovia Castelo Branco, continuam internadas hoje. O acidente causou a morte de 12 pessoas e ferimentos em outras 12, que não procuraram atendimento hospitalar. Os feridos Sérgio Garcia, Serderne Lima de Vaz e Clarice Martins, que estão no Hospital Regional de Sorocaba, e Edvaldo dos Santos, internado no Hospital Samaritano, não correm risco de vida. Celi Aparecida Martins, que também se feriu no acidente, foi transferida para um hospital de Bauru.
O policial Roberto da Silva, de 44 anos, que sofreu fratura de fêmur e traumatismo craniano, permanece internado na Santa Casa de Itu. Silva estava na viatura policial que colidiu com a traseira de um caminhão, causando a morte de seis policiais militares da reserva e da ativa.
O corpo da menina Daiane Cristine Godóy Nicolini, de 11 anos, morta na colisão de uma ambulância, foi levado para a cidade de Sabino, onde reside sua família. A garota estava sendo transportada de ambulância para o Instituto de Coração da Universidade de São Paulo (USP), onde seria submetida uma cirurgia cardíaca. A mãe da menina, Roseli Aparecida Godóy Nicolini, recebeu alta no Hospital Regional e viajou para Sabino. (AE)