Durante o recesso escolar deste mês, uma grande parte das escolas públicas vai estar de portas abertas para a comunidade. A orientação, que faz parte da proposta de trabalho da Secretaria Estadual da Educação, é para que os estabelecimentos de ensino promovam atividades para atrair alunos, pais e vizinhança em geral para praticar esportes ou participar de atividades recreativas.
De acordo com o dirigente regional de ensino, Jair Sanches Vieira, a idéia é chamar os estudantes para a escola mesmo na época de férias, proporcionando lazer e diversão para eles. “Esta é justamente a proposta da secretaria. Não queremos que as crianças fiquem na rua, sem nada para fazer. Elas têm de aproveitar o espaço da escolaâ€, diz.
Essa filosofia de aproximar a comunidade da escola pública foi implantada recentemente pelo secretário estadual Gabriel Chalita. Vieira explica que o titular da pasta tem uma concepção diferenciada do envolvimento social. “Ele (Chalita) acredita que se trouxermos a criança para dentro da escola estaremos evitando que ela adquira maus hábitos na rua, ou seja, atitudes contrárias àquelas pregadas pela sociedade e pela famíliaâ€, salienta.
Este será o primeiro ano que a Diretoria Regional de Ensino estará estimulando atividades desse gênero no recesso de julho. As férias - que na verdade são apenas dos alunos - começam oficialmente no próximo dia 12 e se estendem por mais duas semanas e meia, até o início de agosto.
Durante esse período, algumas escolas estarão promovendo reforma em suas instalações, aproveitando a liberação de verba pela Secretaria Estadual de Educação visando esse fim. No total, o órgão liberou R$ 63 milhões para 200 municípios. O dinheiro deverá ser usado na construção de novas unidades, ampliação e reforma das já existentes.
Em Bauru, as escolas deverão fazer a cobertura das quadras poliesportivas e promover a manutenção dos prédios.
Os estabelecimentos que estiverem incluídos nessa lista não terão necessariamente que oferecer atividades recreativas.
Os demais, que já possuem quadra poliesportiva coberta, receberam uma determinação da Diretoria de Ensino para que organizem eventos para os alunos e familiares.
Preservação x Vandalismo
O incentivo para que as escolas se aproximem mais da comunidade tem por objetivo melhorar o relacionamento da população com os estabelecimentos de ensino, que andaram sofrendo depredação e mutilação nas últimas décadas.
Vieira explica que a teoria de Chalita mostra que, quanto mais a população se inserir no contexto da escola, mais ela vai querer preservar o patrimônio. “As pessoas que freqüentam o ambiente escolar, seja para estudar ou para usar para outros objetivos públicos, acabam tendo a noção de que aquele é um bem da própria comunidade e lutam para preservá-loâ€, enfatiza o dirigente.
Há escolas, no entanto, que ainda relutam em aplicar esse conceito. Alguns diretores temem que, ao abrir a escola para a comunidade, o vandalismo fale mais alto e acabe colocando por terra o que a escola conquistou de benfeitorias. “Essa é uma cultura que ainda não está formada na comunidade, de que a escola é dela e é preciso cuidar do patrimônioâ€, ressalta Neide Ferrari Tosati, diretora da Escola Estadual Ada Cariani Avalone, localizada no Núcleo Mary Dota.
Os estabelecimentos de ensino que conseguiram esta aproximação com a vizinhança dão o exemplo de que o projeto é viável. Com a participação de voluntários, algumas escolas da cidade conseguiram melhorar as suas instalações e incrementar as suas opções de lazer e recreação.
Como é o caso da Escola Estadual Durval Guedes de Azevedo, no Jardim Ouro Verde, e Parque Santa Edwirges, no Alto Alegre.
O estímulo para a participação dos alunos nesse movimento de renovação das escolas públicas se faz também através do grêmio estudantil. Para o dirigente regional de ensino, Jair Sanches Vieira, essa é uma das maneiras mais saudáveis de buscar a interação entre escola/aluno. “As escolas que têm um grêmio atuante conseguem um envolvimento muito maior de seus alunos com o projeto educacionalâ€, garante.