De acordo com os pediatras Marília Simões Garcia e Francisco Garcia Neto, os alimentos devem ser apresentados para o bebê gradativamente, sempre um a um para que ele se acostume com os sabores.
A água e os chás podem ser oferecidos para o recém-nascido desde os primeiros dias de vida. A água deve ser mineral, fervida ou filtrada. “Os chás, a gente dá preferência àqueles mais adocicados, de erva-doce, camomila e erva-sidreira, justamente para não usar o açúcar brancoâ€, explica Marília Garcia.
O próximo passo é introduzir os sucos de frutas. No caso da mãe que vai voltar a trabalhar após os quatro meses de licença, o ideal é oferecer por volta do segundo ou terceiro mês de vida da criança. A fruta precisa ser diluída em água, pelo menos inicialmente.
“Você deve oferecer a mesma fruta durante uns três dias para avaliar a tolerância da criança. O ideal é não usar açúcar e insistir um pouco. Deve-se começar com 10 mililitros de suco, aumentando gradativamente até chegar a 100 mililitros por diaâ€, descreve Garcia Neto.
Cerca de um mês depois da adoção dos sucos, os pais podem começar a oferecer uma papinha de frutas. Nesta fase, já é recomendado misturar os sabores. Para a papa, as frutas (cruas ou cozidas) devem ser raspadas ou amassadas com um garfo. Inicia-se com uma colher de sobremesa por dia, aumentando a quantidade aos poucos, conforme a aceitação da criança.
Legumes
Um mês mais tarde, inicia-se a introdução dos legumes e verduras, também um a um. “Nos primeiros meses, você deve passar numa peneira fina, depois mais grossa. Quando a criança já tiver os dentes molares, por volta dos nove meses, a papa deverá ser amassada com o garfo e a criança deve ser estimulada a mastigar os pedacinhosâ€, orienta Garcia Neto.
Os pediatras advertem que a comida da criança não deve ser jamais batida no liqüidificador. Por duas razões. A primeira é a destruição das fibras, com conseqüente ressecamento intestinal. A segunda é que a criança precisa ser acostumada a engolir os pedacinhos de alimentos. A criança habituada a receber só líquidos chega a sentir náuseas quando come a papa mais tarde e acaba rejeitando a alimentação.
“Tudo o que você for dar pela primeira vez para o bebê, não pode ser misturado com outro alimento. Porque pode dar uma reação no bebê. Se ele tiver uma cólica ou diarréia e você ofereceu três coisas de uma vez, você não vai saber o que foi. Havendo reação, a mãe deve suspender o alimento por algumas semanas e tentar de novo, até haver aceitaçãoâ€, salienta Marília Garcia.
Ela também sugere que todo novo alimento deve ser oferecido ao bebê pela manhã. Se ele tiver uma reação, os pais têm o dia todo para resolver o problema. Um alimento dado à tarde, pode significar uma noite em claro no pronto-socorro caso haja reação.
“E em quantidade pequena. Vai dar uma banana, dê uma colherada. Porque, assim, se houver uma reação, ela acaba mais rápidoâ€, alerta.
Alimentos pesados
Questionados sobre a introdução da carne, feijão e ovo, que são alimentos de digestão mais difícil, os pediatras afirmam que também é preciso seguir critérios. A carne pode ser cozida com os legumes logo após a “apresentação†deles à criança.
“Só que, inicialmente, você retira a carne antes de passar na peneira e os nutrientes ficam só no caldoâ€, orienta Marília Garcia. Depois de um mês, a carne já pode ser passada na peneira, mas tem que ser uma carne moída e magra.
O feijão pode ser misturado à sopa do bebê por volta dos sete ou oito meses. Começa-se com uma colher de caldo e vai aumentando lentamente até chegar aos grãos.
A gema do ovo é o último ingrediente a entrar na alimentação do bebê. Garcia Neto recomenda que isso só seja feito a partir do nono mês de vida da criança.
“Porque é quando o nenê recebe a vacina contra sarampo, que é feita a partir do ovo. Se a criança experimenta a gema antes e desenvolve alergia, ela não vai poder tomar a vacina. Então, costumamos deixar a introdução da gema para depois da administração da vacinaâ€, justifica.