07 de julho de 2026
Saúde

Introdução da comida segue ordem determinada

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

De acordo com os pediatras Marília Simões Garcia e Francisco Garcia Neto, os alimentos devem ser apresentados para o bebê gradativamente, sempre um a um para que ele se acostume com os sabores.

A água e os chás podem ser oferecidos para o recém-nascido desde os primeiros dias de vida. A água deve ser mineral, fervida ou filtrada. “Os chás, a gente dá preferência àqueles mais adocicados, de erva-doce, camomila e erva-sidreira, justamente para não usar o açúcar branco”, explica Marília Garcia.

O próximo passo é introduzir os sucos de frutas. No caso da mãe que vai voltar a trabalhar após os quatro meses de licença, o ideal é oferecer por volta do segundo ou terceiro mês de vida da criança. A fruta precisa ser diluída em água, pelo menos inicialmente.

“Você deve oferecer a mesma fruta durante uns três dias para avaliar a tolerância da criança. O ideal é não usar açúcar e insistir um pouco. Deve-se começar com 10 mililitros de suco, aumentando gradativamente até chegar a 100 mililitros por dia”, descreve Garcia Neto.

Cerca de um mês depois da adoção dos sucos, os pais podem começar a oferecer uma papinha de frutas. Nesta fase, já é recomendado misturar os sabores. Para a papa, as frutas (cruas ou cozidas) devem ser raspadas ou amassadas com um garfo. Inicia-se com uma colher de sobremesa por dia, aumentando a quantidade aos poucos, conforme a aceitação da criança.

Legumes

Um mês mais tarde, inicia-se a introdução dos legumes e verduras, também um a um. “Nos primeiros meses, você deve passar numa peneira fina, depois mais grossa. Quando a criança já tiver os dentes molares, por volta dos nove meses, a papa deverá ser amassada com o garfo e a criança deve ser estimulada a mastigar os pedacinhos”, orienta Garcia Neto.

Os pediatras advertem que a comida da criança não deve ser jamais batida no liqüidificador. Por duas razões. A primeira é a destruição das fibras, com conseqüente ressecamento intestinal. A segunda é que a criança precisa ser acostumada a engolir os pedacinhos de alimentos. A criança habituada a receber só líquidos chega a sentir náuseas quando come a papa mais tarde e acaba rejeitando a alimentação.

“Tudo o que você for dar pela primeira vez para o bebê, não pode ser misturado com outro alimento. Porque pode dar uma reação no bebê. Se ele tiver uma cólica ou diarréia e você ofereceu três coisas de uma vez, você não vai saber o que foi. Havendo reação, a mãe deve suspender o alimento por algumas semanas e tentar de novo, até haver aceitação”, salienta Marília Garcia.

Ela também sugere que todo novo alimento deve ser oferecido ao bebê pela manhã. Se ele tiver uma reação, os pais têm o dia todo para resolver o problema. Um alimento dado à tarde, pode significar uma noite em claro no pronto-socorro caso haja reação.

“E em quantidade pequena. Vai dar uma banana, dê uma colherada. Porque, assim, se houver uma reação, ela acaba mais rápido”, alerta.

Alimentos pesados

Questionados sobre a introdução da carne, feijão e ovo, que são alimentos de digestão mais difícil, os pediatras afirmam que também é preciso seguir critérios. A carne pode ser cozida com os legumes logo após a “apresentação” deles à criança.

“Só que, inicialmente, você retira a carne antes de passar na peneira e os nutrientes ficam só no caldo”, orienta Marília Garcia. Depois de um mês, a carne já pode ser passada na peneira, mas tem que ser uma carne moída e magra.

O feijão pode ser misturado à sopa do bebê por volta dos sete ou oito meses. Começa-se com uma colher de caldo e vai aumentando lentamente até chegar aos grãos.

A gema do ovo é o último ingrediente a entrar na alimentação do bebê. Garcia Neto recomenda que isso só seja feito a partir do nono mês de vida da criança.

“Porque é quando o nenê recebe a vacina contra sarampo, que é feita a partir do ovo. Se a criança experimenta a gema antes e desenvolve alergia, ela não vai poder tomar a vacina. Então, costumamos deixar a introdução da gema para depois da administração da vacina”, justifica.