08 de julho de 2026
Ser

Mas eu me mordo de ciúme...

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 3 min

â€œÉ impossível te agüentar. Você é louca. Eu nunca ouvi tanta besteira de uma só pessoa. Me deixa em paz”. Essas são algumas frases que fazem parte da rotina de Ana Cláudia Dias, 32 anos. Há três anos ela namora José Carlos Augusto da Silva, 34 anos, e não desiste de dedicar 24 horas de seu dia para fiscalizá-lo e atormentá-lo. Esse tipo de ciúme, pode ser uma doença, uma possessividade e não amor. Quem ama zela, cuida, mas não sufoca porque confia.

Isso é o que explica a psicóloga Keila Cristiane Maniero Peraçoli. Ela diz que, em alguns casos, o ciúme é patológico e deve ser tratado.

Ana Cláudia já pensou em fazer terapias para aliviar seu ciúme, mas acaba achando que não vai adiantar nada. Na verdade, ela acha que o problema está no namorado. â€œÉ ele quem não age corretamente comigo. Ele já mentiu algumas vezes para mim e eu não aceito isso. Ele prefere ficar com os amigos do que comigo. Diz que me ama, mas vira e mexe, ele me deixa para estar com os amigos”, reclama.

Na verdade, Silva diz que sai muito pouco com os amigos, mas que, às vezes, é preciso ter um tempinho. “Eu só fico com os meus amigos de vez em quando. É só quando vão sair só os homens para tomar uma cervejinha e bater um papo, coisa de final de tarde, um happy hour depois do trabalho, mas ela não me deixa. Ela fica me ligando de cinco em cinco minutos, quando não pega o carro e vai atrás de mim. Fica lá me observando até eu resolver ir embora. Fora que ela já fez vários escândalos”, se justifica.

Os dois vivem em “pé de guerra” pelo o que conta Ana Cláudia. “Eu brigo com ele sim, mas ele também tem ciúmes de mim”, afirma. “Lógico. Eu começo a pensar que, se ela tem tanta neurose com isso, é porque é ela quem vive fazendo coisas erradas”, se explica Silva.

A conversa com os dois não tinha fim e eles já estavam quase que discutindo durante a entrevista. “Eu sei que ele gosta de mim e eu também o amo muito. Mas ele tem que entender a minha insegurança. Nós vamos ficar juntos, casar, ter filhos, e aí eu acho que eu ficarei menos ciumenta”, brinca Ana Cláudia.

Keila avalia que, nesse caso, Silva poderia colaborar com Ana Cláudia se não mentisse. “Ele não deve poupá-la. É pior. Ele deve sempre falar a verdade, mesmo que isso gere uma frustração na garota. Além disso, o ideal, seria que ele sempre fosse carinhoso e compreensivo com ela. Nós sabemos que isso é muito difícil, mas estamos falando em termos de ideal”, explica.

A psicóloga também recomenda uma terapia individual para que os dois entendam o problema que estão vivendo e depois, uma terapia de casal. “Isso ajudaria ela a entender a causa de seu ciúme possessivo e ele a aprender a lidar com as dificuldades de viver com alguém ciumento. Depois, os dois fariam uma terapia juntos para melhorar o relacionamento”, afirma.

Outra dica que a psicóloga Keila dá a Ana Cláudia, é que ela avalie a realidade da situação. “Quando sentir ciúmes, faça o teste da realidade. Cheque se há alguma prova que “incrimine” seu namorado, reflita com calma e só depois conclua”, diz.