07 de julho de 2026
Ser

Possessividade leva à morte

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 3 min

O ciúme, quando é exagerado, torna-se uma patologia. As pessoas com predisposição para esse sentimento, sofrem e fazem sofrer o parceiro ou parceira. As visões irreais tornam-se freqüentes no relacionamento. Os ciumentos fantasiam situações e fatos que não ocorreram na realidade a acreditam no que criam, transformando o que deveria ser saudável e prazeroso, em algo insuportável.

Esse ciúme exagerado, além de provocar mudanças no humor e na rotina não só do casal, mas da família e dos amigos que convivem com essas pessoas, pode levar à morte. Sabe-se que a maioria dos casos de homicídios seguidos de suicídios, são provocados por brigas passionais. A esquizofrenia também é uma doença que pode ser gerada do ciúmes. A pessoa com essa doença, não acredita no real. Ela fantasia cenas e tem devaneios que crê, sem que nada possa interferir nessa crença.

O ciúme pode ser definido como um sentimento egocentrado, que pode ser associado à terrível sensação de ser excluído de uma relação.

Aquele ciúme considerado normal, mais comum, é quando a pessoa se sente enciumada em situações eventuais nas quais, de alguma forma, se veja excluída ou ameaçada de exclusão na relação com o outro.

Em um grau maior de comprometimento emocional, quando há uma instabilidade neurótica ou de auto-afirmação, a pessoa pode apresentar-se como ciumento. Neste caso, a sensação permanente de angústia e instabilidade, a insegurança em relação a si mesmo e ao outro, além de fragilidade da relação afetiva, podem levar a pessoa a manter um permanente estado de tensão, temendo ser traído ou abandonado.

Qualquer sinal do outro pode significar algo e a angústia da dúvida corrói a alma de quem é ciumento. Em uma terceira situação, ainda mais grave sob o ponto de vista de comprometimento do psíquico, podem ocorrer situações delirantes em que a desconfiança do ciumento cede lugar a uma incerteza infundada de que está mesmo sendo traído ou abandonado. O pensamento delirante, muitas vezes, toma conta de todo o psíquico e atinge níveis insuportáveis de tensão interna.

O outro lado

Em paralelo ao sentir ciúme, psicólogos avaliam também, a forma de reagir perante este sentimento. Eduardo Ferreira Santo, escritor do livro “Ciúme, o medo da perda” diz que para a pessoa supostamente saudável, o sentir-se enciumado a leva a questionar-se sobre este sentimento; chega a compartilhar com o outro este sentir e pode tirar daí algumas conclusões importantes sobre sua forma de ser.

Já o ciumento, que pode até não ter muita ciência deste seu sentimento, permanece em vigília o tempo todo, tenso, aflito, tomando atitudes algo destemperadas, sempre procurando uma forma de confirmar suas suspeitas.

Santos diz em seu livro que, de qualquer forma, o complexo sentimento de ciúme, longe de ser aquele “condimento” que torna a relação amorosa mais “apetitosa”, é um sentimento que leva, via de regra, ao sofrimento de quem o sente e, principalmente, de quem padece nas mãos de um ciumento desconfiado e agressivo.

O ciúme, na opinião dele, é um sinal de alerta. É uma luz vermelha que se acende no painel da vida, indicando que algo está falhando. Seja em um ou no outro, seja na relação, algum “ruído” é denunciado pelo ciúme.

Quanto mais intenso e menos controlável, maior o problema. Quanto maior a intensidade desse sentimento, mais se ultrapassa os limites da normalidade para, aos poucos, poder ser devorado por uma obsessão capaz de destruir qualquer relacionamento.