O ciúme, quando é exagerado, torna-se uma patologia. As pessoas com predisposição para esse sentimento, sofrem e fazem sofrer o parceiro ou parceira. As visões irreais tornam-se freqüentes no relacionamento. Os ciumentos fantasiam situações e fatos que não ocorreram na realidade a acreditam no que criam, transformando o que deveria ser saudável e prazeroso, em algo insuportável.
Esse ciúme exagerado, além de provocar mudanças no humor e na rotina não só do casal, mas da família e dos amigos que convivem com essas pessoas, pode levar à morte. Sabe-se que a maioria dos casos de homicídios seguidos de suicídios, são provocados por brigas passionais. A esquizofrenia também é uma doença que pode ser gerada do ciúmes. A pessoa com essa doença, não acredita no real. Ela fantasia cenas e tem devaneios que crê, sem que nada possa interferir nessa crença.
O ciúme pode ser definido como um sentimento egocentrado, que pode ser associado à terrível sensação de ser excluído de uma relação.
Aquele ciúme considerado normal, mais comum, é quando a pessoa se sente enciumada em situações eventuais nas quais, de alguma forma, se veja excluída ou ameaçada de exclusão na relação com o outro.
Em um grau maior de comprometimento emocional, quando há uma instabilidade neurótica ou de auto-afirmação, a pessoa pode apresentar-se como ciumento. Neste caso, a sensação permanente de angústia e instabilidade, a insegurança em relação a si mesmo e ao outro, além de fragilidade da relação afetiva, podem levar a pessoa a manter um permanente estado de tensão, temendo ser traído ou abandonado.
Qualquer sinal do outro pode significar algo e a angústia da dúvida corrói a alma de quem é ciumento. Em uma terceira situação, ainda mais grave sob o ponto de vista de comprometimento do psíquico, podem ocorrer situações delirantes em que a desconfiança do ciumento cede lugar a uma incerteza infundada de que está mesmo sendo traído ou abandonado. O pensamento delirante, muitas vezes, toma conta de todo o psíquico e atinge níveis insuportáveis de tensão interna.
O outro lado
Em paralelo ao sentir ciúme, psicólogos avaliam também, a forma de reagir perante este sentimento. Eduardo Ferreira Santo, escritor do livro “Ciúme, o medo da perda†diz que para a pessoa supostamente saudável, o sentir-se enciumado a leva a questionar-se sobre este sentimento; chega a compartilhar com o outro este sentir e pode tirar daí algumas conclusões importantes sobre sua forma de ser.
Já o ciumento, que pode até não ter muita ciência deste seu sentimento, permanece em vigília o tempo todo, tenso, aflito, tomando atitudes algo destemperadas, sempre procurando uma forma de confirmar suas suspeitas.
Santos diz em seu livro que, de qualquer forma, o complexo sentimento de ciúme, longe de ser aquele “condimento†que torna a relação amorosa mais “apetitosaâ€, é um sentimento que leva, via de regra, ao sofrimento de quem o sente e, principalmente, de quem padece nas mãos de um ciumento desconfiado e agressivo.
O ciúme, na opinião dele, é um sinal de alerta. É uma luz vermelha que se acende no painel da vida, indicando que algo está falhando. Seja em um ou no outro, seja na relação, algum “ruído†é denunciado pelo ciúme.
Quanto mais intenso e menos controlável, maior o problema. Quanto maior a intensidade desse sentimento, mais se ultrapassa os limites da normalidade para, aos poucos, poder ser devorado por uma obsessão capaz de destruir qualquer relacionamento.