Senhoras, senhores e palhaços o circo é a cidade. Sim, e ele é bem diferente dos demais, pois os palhaços mais assistem do que atuam, e também são em maior número na platéia. Vamos aplaudir a palhaçada diária e aprender engoli-la constatando a realidade medíocre do estudante brasileiro. Há alguns dias, foi publicada neste jornal, uma matéria sobre abertura de vagas para estagiário do DAE (Departamento de Água e Esgoto de Bauru). Constatei que as inscrições se encerrariam no dia 7/6/2002, portanto aproximadamente uma semana depois da veiculação da matéria. E como em qualquer concurso, exigiam-se alguns documentos, entre eles uma declaração de matrícula e de freqüência às aulas da faculdade em que estudava o candidato à vaga. Fui até a universidade (a mais religiosa e burocrática de Bauru) e solicitei os documentos exigidos pelo concurso logo após tomar ciência do mesmo, e aí começou o espetáculo: além das taxas pagas pelos documentos (é uma universidade particular, e cobram mensalidades abusivas), disseram-me que a declaração de freqüência do curso não poderia ser entregue com a fútil justificativa de que era final de semestre e a declaração de matrícula só ficaria pronta para o dia 10/6/2002, portanto três dias após o encerramento das inscrições. Expliquei minha situação e deixei claro que era um caso de urgência, no entanto, ouvi aquela velha frase, tão conhecida por brasileiros: “Não posso fazer nadaâ€. Simplesmente. Fui ao DAE e expliquei a situação para a atendente que tratava dos assuntos do concurso em questão, que sem nem mesmo ter olhado nos meus olhos, me disse, adivinhem: “Não posso fazer nadaâ€. Perguntei se não havia possibilidade de apresentar pelo menos o comprovante de que foi solicitado o documento... em vão. Desisti. Seria uma ótima oportunidade, mas perdi. Fiquei extremamente revoltado e sem ação, não pude recorrer a mais nada. Mas e daí, quando chegar o ano que vem, as mensalidades aumentarão mais uns 10% conforme acontece religiosamente nem iria adiantar estar trabalhando por tão pouco, pois a bolsa-auxílio, provavelmente não cobriria nem um terço do valor total cobrado ao mês pela universidade. Estudar vale a pena? Sei lá viu, acho que vou assistir novela ou procurar algum convento. (Ronaldo Luis Diegoli – aluno de jornalismo - ronaldodiegoli@bol.com.br)