11 de julho de 2026
Esportes

Automobilismo: Vitória não muda relação Daré-Foyt

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Kansas City - Não foi por acaso que o astro do automobilismo norte-americano AJ Foyt contratou o bauruense Aírton Daré. Contrariando o que se comentou no início desta temporada, quando o piloto foi chamado de surpresa para substituir Donnie Beechler já na primeira etapa do campeonato atual, Foyt já estava acompanhando as atuações de Daré desde a corrida de Nashville de 2001.

A revelação foi feita pelo próprio Foyt em entrevista coletiva após a vitória do piloto de Bauru no Kansas no último domingo, a primeira da AJ Foyt Racing desde 1999, quando o sueco Kenny Brack ganhou as 500 Milhas de Indianapolis.

“A atuação do Aírton naquela corrida me chamou a atenção. Ele largou lá atrás e, mesmo sendo um circuito difícil de se ultrapassar e onde se corria pela primeira vez, estava entre os dez primeiros antes da metade. Eu senti que, bem orientado, ele se tornaria um piloto de muitas vitórias”, declarou o veterano em resposta à pergunta de um repórter americano sobre o que ele via no brasileiro.

Surpreso, Daré admitiu que nunca notou nada anteriormente, e que o convite para guiar o carro 14, patrocinado pelo cassino Harrah's, foi totalmente inesperado. “O carro tem o número e o patrocinador que o Foyt usava quando corria”, afirmou.

“No dia que ele me convidou para correr, eu estava desempregado porque minha equipe anterior tinha falido. Fui a Homestead apenas para assistir aos treinos mas, por via das dúvidas, levei o macacão e o capacete e deu certo. Quando entrei no paddock, me disseram que ele estava me procurando. Fui aos boxes da equipe e logo depois, estava na pista, disputando a classificação”, contou Daré.

Na corrida, Daré andou o tempo todo embolado com Gil de Ferran, lutando pelo segundo lugar, mas bateu nas voltas finais porque Foyt colocou um jogo de pneus usados e não avisou.

“Ele não me fala nada, diz que é o dono e com ele é assim. Na hora de acertar o carro é a mesma coisa. Já pedi a ele para me avisar o que fez e ele responde que ele acerta e eu guio. Fico louco de raiva, mas ele compensa na corrida, sempre escolhe a estratégia mais correta e não discute as mudanças que peço para fazer no carro. Estamos começando a nos entender e os resultados estão aparecendo, mas é duro”, conformou-se Daré.

A vitória de domingo, segundo o piloto de Bauru, não deve mudar o jeito de Foyt trabalhar. “Agora é que o teimosão não vai mudar mesmo. Nesta semana, está todo mundo testando os carros em Nashville para a prova do dia 20, menos nós. Ele está no Texas e os carros não andam sem a presença dele”, reclamou o bauruense.

Daré revelou ainda que teve que usar configurações da corrida anterior para vencer no Kansas. “A gente sempre começa os treinos correndo atrás e largando no fim do grid. No Kansas, só larguei em sexto porque o acerto é igual ao do Texas, onde fui o terceiro. Aí, consegui ficar sempre entre os líderes e venci.”

No entanto, o piloto de Bauru vê algo de positivo em estar com Foyt. “Mas agora é a volta à realidade, e com ele vai ser sempre assim. O lado bom é que é uma glória para qualquer piloto guiar para uma lenda viva como o Foyt. Isso eu curto muito”, argumenta Daré.