Em nove de julho de 1932 São Paulo irrompeu-se contra arroubos totalitários do governo central. Era o espírito bandeirante empunhando a bandeira da defesa da Constituição, base fundamental para o Estado de Direito e a democracia.
Debelada, a revolução não foi derrotada. Na sua esteira veio a Constituição de 34 e embora tenham ocorrido recaídas, como a do Estado Novo de 37, o fundamental é que hoje, quando comemoramos um Estado Direito Democrático, tenhamos viva na nossa memória a vocação democrática e constitucional do povo paulista.
Não é a toa que São Paulo é chamado de locomotiva do Brasil. Aqui está concentrado o maior PIB, a maior população, as principais indústrias e agroindústrias, o maior número de empregos e o maior mercado consumidor do País.
Numa área de 248.808 Km2, 2,9% do território nacional, concentram-se mais de 36 milhões de habitantes, 22% da população brasileira.
São Paulo possui uma população economicamente ativa de 17,6 milhões de pessoas, com renda per capita de US$ 8,3 mil. Movimenta 50% do volume total do sistema bancário brasileiro e tem uma indústria que responde por 40% da produção industrial nacional, sendo que das 10 maiores empresas em operação no Brasil, cinco estão no território paulista. Sua agroindústria representa 22% do ICMS arrecadado, com destaque para os setores de açúcar, álcool, frango, suco de laranja e rebanhos de bovinos e suínos. Seu setor de comércio e serviços responde por mais de 54% do PIB e das 30 maiores empresas de comércio do Brasil, 12 estão no estado.
Naturalmente aqui também estão representados os principais problemas sociais: a concentração de renda, a desigualdade social, o desemprego e a violência urbana.
Desenvolver São Paulo, na acepção verdadeira da palavra, com crescimento sustentado, inclusão social e equidade, corresponde ao desafio de desenvolver o Brasil dentro destes princípios.
Nesse sentido, tenho o orgulho de ter sido o relator do Fórum São Paulo Século XXI da Assembléia Legislativa de São Paulo que reuniu todos os setores da nossa sociedade para pensarem juntos uma proposta de desenvolvimento para o Estado. Do Fórum saiu uma proposta completa que pode e deve balizar o desenvolvimento desta verdadeira nação bandeirante, cuja pujança é determinante para a grandeza e o despertar do gigante chamado Brasil.
Neste momento, quando o mau humor do mercado desenvolve o espírito capitulador de muitos, não custa relembrar os heróis da revolução de 32 enquanto ícones da grandeza e do espírito empreendedor dos paulistas. Assim como antes, não nos curvaremos ante as pressões externas e com sabedoria haveremos de construir com nossas mãos um destino glorioso para a porção bandeirante e, conseqüentemente, para a nação brasileira. (O autor, Arnaldo Jardim, é deputado estadual, engenheiro civil, foi secretário da Habitação - 1993, coordenador da Frente Parlamentar pela Energia Limpa e Renovável, relator do Fórum SP - Século XII - Presidente Estadual do PPS. E-mail: arnaldojardim@uol.com.br)