10 de julho de 2026
Geral

Bordados devem atrair 120 mil pessoas

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 5 min

Em meio a uma infinidade de edredons, almofadas e enxovais, a organização da 29ª Feira do Bordado de Ibitinga espera receber até o dia 21 de julho, no conjunto poliesportivo “Waldomiro Ribeiro dos Santos” (Nicolão), mais de 120 mil pessoas, superando a marca de 2001, quando recebeu um público de 103 mil visitantes.

A edição de 2002 ganhou uma nova estrutura para oferecer uma opção a mais não só às pessoas de fora, mas aos próprios ibitinguenses que movem a “capital nacional do bordado”. E uma feira para eles não seria uma novidade, já que dos 2.150 estabelecimentos comerciais da cidade, 1.214 são ligados ao bordado.

Nesse sentido, foram montados dois novos pavilhões: um com feira de variedades, onde se pode comprar de doces caseiros a motocicletas, passando por artigos de couro, bijuterias, utilidades domésticas e até artigos para camping vendidos a preço de fábrica, e o outro módulo com uma diversificada praça de alimentação, que funciona também depois que a feira se fecha, com shows musicais variados e gratuitos.

A programação cultural do evento durante a semana tem início às 14h, mas aos finais de semana o palco é ocupado a partir das 10h e abre espaço para teatro, apresentações de capoeira, artes marciais e até desfile de moda.

Evolução

O consumidor de bordado, a população regional e os jovens são parte do processo de evolução da Feira do Bordado, afirma o presidente da comissão do evento, Pedro Wagner Ramos, que é secretário de governo. “Nós investimos nos pavilhões radicalmente, ampliamos a área da feira para 10 mil metros quadrados e fizemos um mix de alternativas de compras e cultura. Só na primeira noite reunimos seis mil pessoas da cidade, que tem 50 mil habitantes. A ousadia deu certo e obtivemos uma resposta superior à imaginada.”

Negócios

A expectativa é que o volume de negócios ultrapasse R$ 4 milhões em nove dias de feira e uma das metas da nova diretoria do evento é colocar os bordados no circuito da moda, no eixo Rio/São Paulo.

“Nós temos uma parcela de exportação para a América Latina, Estados Unidos e Europa, que ainda é um pouco tímida, e estamos implementando a rede itinerante, que leva a Feira de Ibitinga para várias localidades do País, de janeiro a janeiro”, finaliza Ramos.

Moda x bordado

As rendas e os crochês voltaram à moda no vestuário, mas a moda cama, mesa e banho parece não acompanhar essa tendência em Ibitinga. O que se vê pelos corredores é um arco-íris de cores fortes em peças básicas, com bordados discretos e em linhas modernas.

Os próprios comerciantes dizem que o bordado de Ibitinga já não é mais o mesmo. Há 14 anos no mercado, a empresária Mitiko Katata Biondo explica que o fenômeno se deu por dois motivos: a praticidade exigida pelas pessoas e o alto custo da mão-de-obra, que conseqüentemente refletia no preço do produto final. “Mas existe um movimento entre as bordadeiras e os fabricantes mais tradicionais, que ainda resistem e querem trazer o bordado de volta e com força.”

Hoje, forte mesmo estão as peças em matelassê, cujas costuras do revestimento de colchas e edredons formam desenhos em toda a peça. â€œÉ a tendência para a moda casa 2003.”

Uma nova tendência constatada pelos fabricantes de enxoval é o crescimento nas vendas dos produtos king size, maiores e mais largos mesmo para camas de solteiro. A vendedora Marli Cestari, que atua há sete anos no mercado, conta que a empresa onde trabalha está se especializando nos “tamanhos grandes”.

Na contramão, o comerciante Fernando Cunha, que traz no sangue 30 anos de bordado na família, é um dos poucos que ainda vende toalhinhas e pequenas peças com bordados artesanais e crochê. Ele assume que a mão-de-obra acabou encarecendo o produto, mas que isso não foi suficiente para mudar de ramo. Sua fábrica envolve mais de 300 pessoas em épocas de produção e algum investimento em tecnologia faz com que consigam manter o preço acessível.

Mesmo vendendo artigos baratos, muitos por menos de R$ 10,00, espera um faturamento de R$ 40 mil durante o evento.

Na feira, todos os produtos são vendidos a preço de fábrica e não existe um cartel do bordado, cada um opera com seu preço. Mas em geral estão muito abaixo do varejo. É possível se comprar um edredon de casal por R$ 18,00, jogos de lençóis por R$ 11,00, enxovais completos por R$ 70,00. O interessante é que em muitas lojas o preço a prazo varia apenas R$ 1,00 ou R$ 2,00, dependendo do produto.

Tentação

O pavilhão de artigos coloridos e de bom preço faz com que nenhum visitante saia da feira sem um pano de prato sequer. As mulheres, que segundo pesquisas compram por impulso, acabam andando pelos corredores arrastando sacolas imensas e param para observar cada detalhe.

Em dias de feira, Ibitinga reúne gente que vem exclusivamente para comprar ou renovar os enxovais. A dona-de-casa Selma Cristina Neto saiu de Braúna, cidade vizinha a Araçatuba, para comprar roupa de cama. “Vim no ano passado e quando soube que tinha outra feira, resolvi voltar.”

Aproveitando um passeio pela cidade, a vendedora Vera Lúcia dos Santos, de Jaboticabal, visitava o evento pela primeira vez, mas já no primeiro corredor tinha gasto mais de R$ 300,00 em artigos para o dia-a-dia.

Basta trocar a linha

Um dos estandes mais procurados pelos empresários do setor que visitam ou trabalham na feira é o de máquinas de bordar. A mais cobiçada é uma bordadeira eletrônica de última geração, que borda e costura sozinha numa velocidade de 800 pontos por minuto.

A novidade parece uma máquina de costura comum com visual mais moderno, mas funciona com cartão de memória digital, que como o das câmeras fotográficas, faz a leitura do desenho e o executa.

Através de um visor de cristal líquido, a máquina sugere cores e quantidade de linha que serão utilizadas, o que pode ser mudado com um toque de dedos e executa o trabalho.

A única coisa que precisa ser feita manualmente é a troca de carretéis.

Para uma imagem de 12 x 7 cm, com média de 10 mil pontos, a bordadeira digital leva 23 minutos. Uma bordadeira experiente levaria dois dias ou mais para concluir o trabalho manualmente.

Com a novidade qualquer um pode “bordar”, basta ter R$ 12 mil para adquirir o equipamento.