10 de julho de 2026
Bairros

Bauruense toma gosto por residenciais e condomínios

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Sob os olhos reprovadores de grande parte dos urbanistas, os condomínios e loteamentos horizontais fechados vêm ganhando a preferência de quem quer morar com segurança sem perder os prazeres da moradia térrea. No Brasil, os adeptos já somariam um milhão de pessoas, segundo estimativa recém-divulgada pela revista “Veja”.

Se comparada a cidades de porte semelhante, Bauru está meio atrasada, mas não deixa de confirmar a tendência. Até 1996, o município possuía apenas sete empreendimentos, número que praticamente triplicou - hoje já são 19, sem contar os que estão em fase de aprovação na Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan).

Vivendo sob a proteção de guaritas, muros e cercas coletivas estão aproximadamente 9 mil bauruenses (natos ou por opção), mas o contingente é maior se computadas as pessoas que residem em condomínios de apartamento, chamados de verticais.

Esses empreendimentos térreos, pelo menos em Bauru, deixaram de ser privativos de quem tem muito dinheiro. Tanto empresários renomados quanto professores arrochados pela crise econômica estão servindo-se do modelo, deixando claro que segurança e qualidade de vida são desejos sem fronteiras.

A própria Caixa Econômica Federal (CEF) absorveu a idéia. Quatro condomínios residenciais - Jardins do Sul, Bosque da Saúde, Villaggio Via Verde e Primavera, este último ainda em fase de construção - foram financiados pela instituição, que hoje só trabalha com demanda garantida.

“A Caixa não lança mais empreendimentos para comercialização posterior. Se há algum projeto, é porque a venda está assegurada”, pontuou Denise Taveira, gerente regional de marketing do Escritório de Negócios da CEF em Bauru. Só nesses quatro empreendimentos, o agente financeiro liberou R$ 8 milhões a título de empréstimo.

A previsão de crescimento dos residenciais fechados é tamanha que a Seplan e o Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano (Cond urb) querem mais rigor para aprová-los. Um projeto de lei nesse sentido já foi encaminhado à Câmara Municipal.

Em seu conteúdo estão novas regras, como a transferência para os condôminos da responsabilidade sobre a manutenção das ruas internas e dos jardins externos, pagamento da iluminação das áreas comuns e exigências de áreas abertas entre um empreendimento e outro.

“Estamos adequando a legislação em razão da expansão dessa tendência. Exigir bons espaços entre um loteamento fechado e outro, por exemplo, é evitar que no futuro tenhamos em Bauru algo parecido com Alphaville, guardadas as proporções, é claro. Temos receio de acabarmos com grandes paredões separando moradias do resto da cidade”, justificou Maria Helena Rigitano, secretária municipal de Planejamento.

Pessoalmente, como engenheira e urbanista, Maria Helena não é favorável ao crescimento dos residenciais fechados. Na opinião dela, esses modelos criam guetos, segregam, e só resolvem o problema de quem está do lado de dentro.

“Será que os problemas de segurança e violência acabam com a construção de muros?”, questiona, antes de ela mesmo responder “que tudo continuará como antes ou até pior”. “Quando estamos do lado de fora, vemos o problema e, de certa forma, nos empenhamos em combatê-lo. Ao nos fecharmos, entretanto, passamos a somente ouvir o que acontece do lado de fora. Nos sentimos aliviados por estarmos livres, nos acomodamos, fechamos os olhos, enquanto a pobreza continua alimentando essa realidade que tanto nos assusta”, expôs.