08 de julho de 2026
Saúde

China: Uma bomba prestes a explodir

Por Da Redação | Com Agência France Presse
| Tempo de leitura: 2 min

A recusa das autoridades em admitir a existência da aids em seus países transforma nações inteiras em barris de pólvora. Neste sentido, a China encontra-se entre os casos mais sérios. No país mais povoado do mundo, os doentes de aids continuam entregues à própria sorte, enquanto os responsáveis políticos continuam minimizando a epidemia.

As autoridades chinesas levaram meses para reconhecer, no início deste ano, que 100 mil camponeses foram contaminados pelo vírus HIV no fim dos anos 80 e início dos anos 90, após terem vendido seu sangue a bancos de sangue ilegais na província de Henan. Há alguns dias, a Organização das Nações Unidas (ONU) advertiu o país sobre o “desastre de proporções inimagináveis” que poderia ocorrer.

Sem dados oficiais, fica difícil avaliar a dimensão exata da epidemia. Segundo estimativas recentes do Ministério da Saúde chinês, 850 mil pessoas estavam contaminadas no país no fim de 2001. Destas, 200 mil teriam desenvolvido a doença e 100 mil teriam morrido. Para a ONU, no entanto, só o número de soropositivos já deve ter chegado a 1,5 milhão de chineses.

Mesmo sendo a cifra oficial inferior às estimativas de especialistas independentes, os números divulgados pelas autoridades daquele país mostram a gravidade de um problema que, durante muitos anos, pensou-se que não afetava a China.

Durante longo tempo, as autoridades estimaram que a aids estava relacionada principalmente às drogas e que, portanto, os doentes não mereciam compaixão, nem cuidados. Eles deveriam morrer em meio à ignorância e ao silêncio.

A confirmação disto veio de uma pesquisa realizada em sete regiões da China, com mais de 7 mil pessoas. O estudo mostra que 17% dos chineses entrevistados nunca ouviuram falar da aids e que mais da metade deles (54%) não conhecem a causa da doença. Cerca de 75% deles não sabem que a contaminação por sexo pode ser evitada com o uso de preservativos, nem que a transmissão pelo sangue pode ser evitada com transfusões seguras e uso individual de seringas.

Há poucos dias, a ONU fez soar o alarme, ao divulgar um relatório advertindo a China sobre uma “catástrofe” para daqui a dois anos. Segundo a ONU, a gravidade é tamanha que poderá impulsionar o país para a liderança das nações mais afetadas pela doença.