09 de julho de 2026
Ser

Vocação de família

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 4 min

A influência é grande, mas há que se ter cuidado para não “forçar a barra”. Cada um deve ter sua preferência, independente da família, mas se surgir o interesse pela mesma profissão, pode ser muito interessante.

O terapeuta de família Jorge do Nascimento diz que é muito comum o filho seguir a carreira do pai e, por isso, algumas famílias conseguem várias gerações que seguem a mesma profissão. Mas ele lembra que sempre há uma “ovelha negra” e isso é importante porque mostra a personalidade individual de cada um. “Lógico que há uma influência positiva. O filho convive com o pai, acompanha seu trabalho, suas vitórias, ouve os comentários. Se o pai gosta da profissão, vai acabar despertando algum interesse no filho e, se der certo, este vai seguir a carreira do pai”, afirma.

Mas ele lembra que toda história tem dois lados e, portanto, pode haver uma influência negativa. “Quando o pai não gosta da profissão, ou tenta, tenta, mas nunca se dá bem. Chega em casa reclamando do cansaço, que trabalha muito e ganha pouco. Isso pode fazer com que o filho pense em todas as profissões, menos na mesma que o pai”, explica.

A família de Dirce Correa Leme Guimarães é um exemplo de família que deu certo. Com exemplos positivos, vários parentes seguiram a mesma carreira e todos bem conceituados no mercado em que atuam.

Construída com muito amor, respeito e diálogo, os onze irmãos criaram seus 51 filhos num ambiente de paz, tranqüilidade e harmonia. Foi assim que se formaram, em média, 25 dentistas, 20 profissionais do Direito, 20 professores e dez médicos, além de outros profissionais.

Ela afirma que todos os profissionais têm que ter vocação. Não adianta se profissionalizar na mesma área dos pais se não houver um interesse nato. “Os pais devem sentir essa vocação e estimular, dando bons exemplos, também na profissão”, explica.

Dirce lembra que Avaí, cidade onde nasceu a maioria de seus irmãos, dá sorte. Os que não nasceram em Avaí, foram criados ali. “Nessa cidade foram criados vários profissionais de renome que atuam ou já atuaram no mercado com grande capacidade. Avaí tem filhos muito bem sucedidos no mercado profissional. Avaí dá sorte”, diz. Ela faz questão de afirmar que sua família vive no poder da fé. “Eu acredito que a religiosidade dentro do lar é essencial. As pessoas devem saber que Deus é a palavra e o caminho”, salienta.

União

Dirce conta que se tem alguém da família, que tem mais de 100 membros, com algum problema, esteja onde estiver, um liga para o outro e faz uma corrente de oração no horário combinado para ajudar aquele ente. “O povo está precisando desse exemplo de fé. As famílias de hoje estão muito debandadas”, diz.

Dirce acredita que a união da família faz com que se formem profissionais bem sucedidos. Sendo bem sucedidos na profissão, acabam influenciando nos outros membros da família para que também sigam a mesma carreira porque percebem que podem crescer dentro da profissão. Ela conta que sua irmã mais velha, Alice Correa Leme Aleixo, já falecida, teve 18 filhos e criou mais cinco enteados. Nove dos filhos morreram, mas todos os outros fizeram faculdade. Um deles fez quatro faculdades. Todos os netos também já são todos formados no terceiro grau. “Isso, nos tempos em que foram criados, numa família de classe média, é muito relevante. Isso é uma família bem constituída”, diz.

As barreiras existem, as dificuldades em conseguir o diploma e entrar no mercado de trabalho são grandes, mas é preciso ter perseverança e seguir lutando, saltando obstáculos até chegar ao objetivo determinado. Dirce diz que, apesar de sua família ter várias pessoas na mesma profissão, cada um fez sua luta. Ninguém conseguiu nada de graça só porque tinha alguém para ajudar. “Isso é educação. Nada deve ser dado de mão beijada. Todos devem lutar para alcançar seus objetivos”, afirma.

Pára-raio

Dirce, que é formada em desenho, pedagogia, educação artística e artes, afirma que apesar de ser uma família numerosa, todos alcançaram seus objetivos de se profissionalizar e ser o melhor na sua área. Ela explica que isso acontece através do amor. “Uma família unida, que se quer bem que não dá espaço para fofocas, para exemplos negativos, cresce e frutifica. Isso é um exemplo de amizade, união, respeito e amor entre todos os parentescos”, conta.

Um exemplo de vida, Dirce, que vive sozinha, é a âncora da família. “Eu estou sempre unindo a todos, converso com todos os sobrinhos com muita franqueza e, quando surge um problema, eu levanto a cabeça e trato de resolver. Tenho muito orgulho da minha família. Eu sou o pára-raio da família. Com as minhas irmãs mais velhas, falo toda semana, quero saber como estão e as incentivo de que vale a pena viver”, diz.

Dirce finaliza dando um conselho para famílias que estão começando a se formar: â€œÉ preciso ter muito amor, muito diálogo e respeito. Sem isso, a família não sobrevive. Hoje em dia, as pessoas estão muito desunidas e isso faz com que se crie as crianças num ambiente não muito saudável. Isso deve mudar”.