10 de julho de 2026
Ser

Minha história - Maktub: do destino ninguém foge


| Tempo de leitura: 3 min

Corria o ano de 1961. Foi no “Instituto de Educação Ernesto Monte” (Bauru) que meu destino cruzou-se com uma garota muito simpática de apenas 14 anos. Tudo me encantava naquela figura feminina: sua ingenuidade, sua pureza de caráter, seu fervor religioso. Tinha um sorriso largo e meigo, igual ao de Jade da novela “O clone”.

Frequentávamos a mesma igreja: Santa Terezinha, minha amizade foi se metamorfoseando num sentimento puro, muito intenso. Ela era a síntese de tudo que queria numa mulher. Mas para ela, eu era só um bom amigo. Mesmo assim alimentava a esperança de que um dia ela poderia sentir pelo menos a metade do que sentia por ela.

Um belo dia seu coração despertou, não para mim, mas para aquele que seria o primeiro e único homem de sua vida. A ele se entregou, de corpo e alma. Fui me afastando dela embora continuasse a amá-la à distância. Muitos poemas foram feitos para ela que jamais tomou conhecimento deles. Publicados alguns, outros permaneceram inéditos.

Após um longo namoro ela se casou com seu príncipe encantado, indo residir fora do Estado. Nunca mais a vi. Apesar da imensa distância, as notícias chegavam aos meus ouvidos. Dois anos depois casei-me. Mas aquele sorriso tipo Jade jamais se apagou de minha retina.

Mais de vinte anos se passaram e chega a notícia que ela havia se divorciado. Tive então muita vontade de enviar a ela todas as poesias, mas não fiz. Mais dez anos se passaram. Ela continuava sozinha. Achei que era chegado a hora de revelar a ela que tinha sido a musa inspiradora de meus versos.

Ela lê as poesias e envia uma cartinha dizendo que ficou muito surpresa e até muito emocionada. E mais, se eu não tivesse enviado os poemas, ela morreria sem saber dos meus sentimentos para com ela, anos atrás. Acenou com a possibilidade de um reencontro, após 40 anos, como amigos.

A perspectiva de resgatar uma amizade perdida na poeira do tempo era uma recompensa tardia pelos anos que fui forçado e ficar longe dela. É verdade que a estrada da vida só tem caminho de ida, o que já passou não pode ser modificado. Mas havia a possibilidade de retomar o convívio com uma pessoa muito querida.

O reencontro de amigos aconteceu num clima prazeroso e promissor. A partir daquela data cartas e telefonemas foram suprindo uma grande distância. Mas a vontade de Deus é inquestionável... Em 31/12/2001 telefonei-lhe para desejar um ano novo com muita paz, muito amor, muita saúde. Pedi-lhe ainda que me desse a notícia quando sua filha tivesse o nenê, prestes a nascer, ou por carta ou por telefone.

Mas os dias se passaram. Não recebi nem uma carta, nem um telefonema. Chegou o dia 10/1/2002. Era a data de seu aniversário. Providenciei, via telefone, junto a uma floricultura da cidade dela, o envio de um buquê de rosas vermelhas. O recebimento do ramalhete foi confirmado posteriormente pelo proprietário da loja de flores.

O silêncio que continuou a existir até hoje tem um significado muito profundo. Deus já havia traçado previamente duas linhas retas paralelas. Uma delas é o destino a ser percorrido por mim, durante minha existência terrena. A outra linha é o destino a ser percorrido por aquela que um dia foi minha musa inspiradora...

Sidney