09 de julho de 2026
Geral

HB vai inaugurar novo hemonúcleo

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 5 min

A inauguração do prédio que abrigará o Hemonúcleo de Bauru, que atualmente funciona ao lado do Bauru Shopping, em imóvel alugado, está prevista para o final deste mês. O novo edifício, de 1.800 metros quadrados de área e dois pavimentos, oferecerá melhor infra-estrutura aos doadores e dará condições de ampliar a quantidade de sangue coletado.

O prédio está em fase final de construção, ao lado do Hospital de Base, ao qual o banco de sangue é administrativamente ligado. Além de maior, atenderá a reivindicação de boa parte dos doadores, que é a transferência do hemonúcleo para um local mais próximo do Centro, afirma Joseph Saab, presidente da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), entidade que mantém os hospitais de Base e Manoel de Abreu e a Maternidade Santa Isabel.

O Hemonúcleo de Bauru coleta, em média, 35 bolsas de sangue por dia, quantidade insuficiente para abastecer todos os hospitais de Bauru e região. “O ideal seria termos 100 doadores por dia. Com 35, muitas vezes o sangue é enviado para o hospital no mesmo dia da coleta, assim que os exames do material são terminados”, conta Marcos Roberto Turacci, bioquímico do banco de sangue.

Apesar de cirurgias não terem sido canceladas em função da falta de sangue recentemente, a preocupação com o estoque é freqüente, diz Turacci. O problema é maior em épocas de queda no número de doadores, como no inverno e férias.

Por conta do estoque baixo, alguns hospitais da área da Direção Regional de Saúde (DIR-10) são abastecidos por outros hemonúcleos, já que o de Bauru trabalha com estoque quase zero, conta Saab. A localização atual do banco de sangue é um fator que dificulta aumentar o número de doadores, na opinião de Turacci.

Ele conta que muitas pessoas reclamam que têm que pagar dois ônibus para chegar ao banco de sangue. “Dependendo do bairro em que o doador mora, ele gasta até R$ 4,00 com ônibus para ir e voltar do hemonúcleo. É um dinheiro que sai do bolso do doador. Quem ganha pouco deixa de doar”, sustenta.

O hemonúcleo cobra por bolsa de sangue fornecida ao hospital, preço relativo aos serviços de coleta, análise e processamento do material. “O que encarece o preço do sangue é a bolsa de plástico usada para acondicioná-lo”, afirma Saab.

O novo prédio do banco de sangue está orçado em R$ 1,2 milhão, sendo que 80% do valor é pago pela Reforsus, programa do Ministério da Saúde, e 20% pela Secretaria Estadual de Saúde. “A única participação da AHB é a fiscalização da obra, através de um engenheiro”, diz Saab.

Dependendo do interesse dos doadores, a coleta de sangue poderá ser feita durante todo o dia, de acordo com Saab, e não apenas no período da manhã, como ocorre hoje. O número de poltronas coletoras passará de cinco para dez. “Acreditamos que a quantidade de doadores vai dobrar ou triplicar”, espera Turacci.

Ele explica que nos últimos tempos, para driblar a falta de doadores têm sido realizadas campanhas e coletas dentro de empresas e com universitários. Para doar sangue, é preciso ter mais de 55 quilos, idade entre 18 e 55 anos. É recomendável a doação a cada três meses.

Saab afirma que se o número de doadores aumentar muito, também será preciso contratar mais funcionários. Atualmente, o banco de sangue funciona com duas médicas e uma equipe técnica de mais de 30 funcionários, formada por bioquímicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem.

Volta ao HB

O Hemonúcleo de Bauru funcionava nas dependências do Hospital de Base há alguns anos. Porém, teve que ser transferido para um prédio maior porque o Ministério da Saúde determinou que a produção de sangue fosse aumentada, para abastecer os hospitais da região, conta Joseph Saab, presidente da Associação Hospitalar de Bauru (AHB).

Como no Hospital de Base não havia espaço livre, a AHB alugou um imóvel próximo ao Bauru Shopping pagando R$ 5 mil mensais. “Conseguimos a verba para construir um novo prédio, que está quase pronto. Acredito que será suficiente para atender Bauru e região pelos próximos 15 ou 20 anos”, diz.

Saab afirma que o novo prédio está sendo construído conforme as exigências da vigilância sanitária e terá equipamentos modernos.

Doadores aprovam nova localização

O administrador de empresas Márcio Augusto Lopes de Campos, doador de sangue há cerca de seis anos, apesar de não considerar ruim a atual localização do banco de sangue, vê com bons olhos a construção de um novo prédio. “Se será maior e terá mais poltronas coletoras, será melhor para conscientizar as pessoas da necessidade de se doar sangue”, diz.

Ele conta que faz a doação a cada três meses porque é um ato que pode ajudar outras pessoas e não lhe custa nada. “Se posso compartilhar, não me faz falta e nem mal para a saúde, então por que não doar?”, questiona. Ele sugere ao hemonúcleo a elaboração de um banco de dados dos doadores, para que eles sejam chamados na época da próxima doação, caso não apareçam espontaneamente.

A empregada doméstica Maria Lúcia Pereira, que mora no Parque Santa Edwirges e doou sangue uma vez, acha que a atual localização do banco de sangue é um fator dificultador. “Para doar sangue, eu teria que pegar dois ônibus. Se fosse no HB, como era antes, poderia doar quando estivesse indo para o trabalho, sem gastar mais nada”, afirma.