O senador Romeu Tuma (PFL) considera que a intervenção não é a melhor solução para enfrentar os problemas do crime organizado no estado do Espírito Santo. Ele ressalta que o pedido de intervenção tem que ser aprovado pelo Congresso, que está em recesso. Ele também comenta que o processo ainda depende de posicionamentos do Conselho de Defesa do Governo Federal e da elaboração de um plano de ações.
Tuma salienta que a força tarefa institucional conta com uma ação mais rápida. “As autoridades de uma força tarefa que vão para o estado para agir já têm experiência em seus setores e podem elaborar rapidamente um plano de ação emergencial sem outras dependências que acontecem no caso da intervenção. É uma questão de definir o trabalho e ir a campoâ€, defende.
O ex-delegado da polícia federal deixa claro que o problema no Espírito Santo não é novo. “Há 15 anos fizemos uma operação grande no Espírito Santo e identificamos membros do Legislativo, Judiciário e da polícia envolvidos no crime, envolvidos em mortes por tráfico de drogas, no próprio tráfico. Se este vírus continua lá é preciso atacarâ€, menciona.
O senador acha fundamental a divulgação para a sociedade do relatório sobre a situação dos crimes em território capixaba. “Não conheço a situação atual, mas tenho feito uma recomendação ao governo que divulgue o relatório da Comissão de Direitos Humanos porque ninguém sabe o que há neste relatórioâ€, afirma.
Para o senador, a atuação só da Polícia Federal não resolve o problema no estado capixaba. “Temos um problema grave, mas uma intervenção em um Estado não resolve porque a entrada no Estado não vai eliminar a presença do crime já estabelecido. Infelizmente, em uma intervenção precisa colocar a tropa nas ruas e eliminar todos os focos de interferência dos criminosos. Precisa de um processo sumário para tirar os agentes públicos que atuam no crime de circulação, mas isso é muito difícil de acontecer com intervençãoâ€, menciona.
Foro privilegiado
Tuma também comentou a proposta de ampliação do foro privilegiado para deputados e senadores, um assunto que causa muita polêmica na opinião pública neste momento.
O senador disse que a proposta não encontra apoio junto à maioria dos integrantes do Congresso Nacional. “O deputado, senador, deve responder na justiça comum pelos crimes que não dizem respeito ao seu mandato. Não vejo chances do retorno do foro privilegiado para os ex-prefeito e nem para os casos de improbidade. Já há reações para recurso na Câmara dos Deputados e essa matéria, se vir para o Senado, não passaâ€, cita.