O itinerário de quase todas as linhas de ônibus de Bauru será remodelado dentro de oito meses. Em dois anos, os usuários do sistema de transporte coletivo da cidade poderão utilizar passe integração e bilhete magnético. As informações são de José Antonio Jacomelli, 41 anos, presidente da Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb) e gerente da Grande Bauru, que opera na cidade há cerca de dois meses.
A associação, criada há pouco mais de um mês, reúne as três operadoras do sistema de transporte coletivo da cidade: a Grande Bauru (responsável por 50% da frota), a Cidade Sem Limites (que responde por 30% da frota) e a Baurutrans (20% da frota).
O objetivo da Transurb, segundo Jacomelli, é “padronizar o pensamento†das operadoras perante a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), que gerencia o sistema de ônibus, e sindicatos das categorias envolvidas. “Não tem mais conversa paralela. Agora, a conversa é únicaâ€, afirma o presidente da associação.
A princípio, o pensamento conjunto das três empresas seria aproveitar as linhas de maneira mais inteligente, aumentando o índice de passageiros por quilômetro rodado. Atualmente, esse número é de 1,8 passageiro/km em Bauru. O índice ideal, segundo Jacomelli, é de 2,2.
“Além de buscarmos um itinerário mais prático, com velocidade comercial maior, já estaríamos preparando o trabalho de integração do sistemaâ€, ressalta.
Mudanças
Atualmente, as linhas de Bauru são diametrais, ou seja, de bairro a bairro, o que faz com que os ônibus circulem, às vezes, com poucos passageiros. A idéia é instalar linhas radiais, isto é, que ligam o Centro aos bairros.
“Um carro que vai, por exemplo, do Gasparini até o shopping, não precisa mais percorrer todo o trajeto. Ele chega até um determinado ponto da cidade, descarrega, e o pessoal segue em outro, com a mesma tarifaâ€, explica Jacomelli.
Dessa forma, o presidente da Transurb acredita que, além do usuário, as pessoas que circulam diariamente no Centro da cidade também serão beneficiadas. “O que vai ajudar bastante o Centro de Bauru é a retirada dos ônibus da avenida Rodrigues Alves, porque ali é um ponto de estrangulamentoâ€, observa. De acordo com Jacomelli, os ônibus que chegam à avenida deverão ser desviados para outras ruas próximas.
Segundo Jacomelli, a Emdurb já realizou pesquisas e estudos com o objetivo de remodelar as linhas, o que deve ser atualizado de agora em diante até que as mudanças passem a funcionar na prática. “Agora é um processo irreversívelâ€, afirma.
Além disso, a reformulação do itinerário deve provocar um impacto muito grande na vida dos mais de 100 mil usuários diários do sistema de transporte urbano em Bauru.
Para se ter uma idéia dessa mudança no cotidiano, Jacomelli revela que 25% do custo total de implantação dos novos itinerários - incluindo a futura integração de passe - é voltado à publicidade, sob forma de anúncios na mídia e impressão de guias e folhetos explicativos.
Bilhetagem automática
Dentro do processo de modernização do transporte coletivo está incluída a implantação de sistemas de bilhetagem automática nos veículos. O principal obstáculo para essa operação é a elaboração de um software (programa de computador) que contemple as necessidades das linhas e dos usuários.
“Cada cidade tem suas características, suas peculiaridades, então o software é a parte mais complexaâ€, declara Jacomelli.
Uma preocupação freqüente quando se toca no assunto da automatização da bilhetagem, a demissão dos cobradores, é refutada por Jacomelli. “Eu não consigo ver o cobrador fora do ônibus no Brasilâ€, diz.
Segundo ele, em cidades em que o sistema foi implantado, como Campinas (SP) e Maringá (PR), os cobradores continuam trabalhando normalmente, orientando e auxiliando os usuários.
Quanto ao aumento de tarifas, Jacomelli diz que esta é uma reivindicação antiga das empresas de transporte - o passe não sofre aumento há mais de um ano -, mas ainda não há previsão sobre datas nem valores para um possível reajuste.