Uma tarde linda de sol. O marido da minha sobrinha vem nos buscar para irmos para Bauru, os pais dele estavam juntos.
A gente entra, conversa baixo, o carro corre, o sol esquentava os nosso rostos, se não fosse o “astral†parecia um passeio. Fim da linha, chegamos!
Paramos em frente a um prédio até bonito, escrito qualquer coisa, como Terra Branca (se localiza em frente ao Correio e Telégrafos), onde minha irmã trabalhou tanto, muitos anos e aposentou-se.
Antes de descer, pela janelinha do carro vejo no alto um tipo de lousa de mármore, leio sala 1 “Fulano de Tal†com 56 anos, bato com medo o olho no outro lado para ver quem está na sala 2, aí a tristeza, surpresa, certeza, pesadelo, sei lá, a confirmação:
Sala 2 - Jacyntho Toldo Neto, 64 anos, horário 17:00 hs, Cemitério Jardim Ypê.
Meu Deus Pai! Então é verdade mesmo. O paizão da Lu e do Du, o vozão do Gustavo, o meu cunhado-irmão o filhão da D. Odete e o “Zote†da Cida, se foi! Meu irmão Jacyntho que uns dias atrás junto com outros amigos me levaram apertando as minhas mãos, para o Centro Cirúrgico. Ele me garantindo vida, fé, esperança e agora ele se foi.
Minha irmã diz: Zeza, como vou viver sem ele? O meu cúmplice, o meu parceiro, o meu namorado, o meu amor!
Ela não desgruda dele, como sempre, de pé ao seu lado sem sair um minuto, acaricia seu rosto, sua carequinha e diz que pena que ela não a levou, continua forte como sempre e acompanha até o fim. Que dor meu Deus, por nós todos e por ela, que teve a sorte de ter ele por esposo por 39 anos e amá-lo e respeitá-lo. Casal 20 - Romeu e Julieta - Cida e Zote!
Enquanto parentes, amigos do Dízimo, 3ª Idade da USC, Nad sem limites, Correio, Fepasa, vizinhos, equipistas de Nossa Senhora, ECC, dizem coisas lindas, sobre ele, eu olho de novo para o rosto tão querido, só faltava o óculos, mas ele estava bonito, altivo, posudo, como sempre, a boca, apesar de fechada, parecida ter um sorriso brincalhão. Parece-me vê-lo atentando eu ou minha irmã, assobiando, correndo atrás da Cida, cutucando, barulhento e ele dizendo: “Para Jacynthoâ€, pare de brincar com a gente, mas não de viver, por favor!
Velório lindo, com canções ao violão, hinos, orações, coroas e mais coroas de flores, todo mundo veio despedir-se do amigão. Os dois juntos até atuavam no teatro da USC, e como todo espetáculo, se encerrou com uma salva de palmas.
Levamos ele para o Jardim e lá ele ficou em sua última morada. Dou graças a Deus por ter conseguido ir e ficar perto deles o tempo todo, nem me cansei, apesar de recente operação, e minha irmã ficou feliz comigo e com minha filha Andréia.
Deus dê força e coragem a Cida e a todos nós. Amém. (Maria José Santini Piva - Zeza)