A redução de 0,5% na Selic (taxa básica de juros da economia brasileira) determinada pelo Banco Central (BC) anteontem, que fez o índice passar de 18,5% para 18% ao ano, não terá reflexos imediatos nem diretos ao consumidor final. A afirmação é de economistas consultados pelo Jornal da Cidade. Na prática, esse corte significa uma redução em torno de 0,01% ao mês na taxa básica de juros. Para o cidadão comum, trata-se de um índice praticamente imperceptível no seu dia-a-dia e o efeito é considerado psicológico por especialistas da área.
De acordo com o economista e delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon), Reinaldo César Cafeo, o ciclo natural do impacto de qualquer redução de juros ocorre, em média, dentro de 150 dias. “Esse corte de 0,5% determinado ontem (anteontem) terá algum reflexo, em termos de taxa de juros, por volta de dezembro deste anoâ€, afirma Cafeo.
Esses seriam os resultados técnicos. Na prática, segundo o economista, uma redução de juros pode resultar no resgate da confiança na economia. Isso teria alguns reflexos, mas não em ordem direta.
“Com isso, considerando que as empresas estão com dificuldade de vender o que têm em estoque, os bancos, financeiras e as próprias empresas podem se valer desse momento psicológico para fazer promoções reduzindo a taxa de juros. Mas se isso ocorrer, não será uma conseqüência da redução da Selic, e sim, uma iniciativa por conta própria aproveitando a situação. Um verdadeiro impacto ocorreria se o índice caísse de 18,5% para 12% ao ano. Então, para o consumidor final o reflexo é muito pequenoâ€, avalia Cafeo.
Para o economista, o que está em jogo é a confiança na economia. Se realmente houver um resgate dessa confiança, deverão cessar as especulações em torno do dólar - o que faria com que a cotação caísse - e, ao mesmo tempo, pelo fato das empresas conseguirem ter maior e melhor giro nos negócios, poderão fazer mais promoções.
Em relação ao cheque especial e ao crédito para o consumidor, por exemplo, Cafeo afirma que, no momento, tecnicamente não há possibilidade de haver redução nessas taxas.
“Imperceptívelâ€
O economista Wagner Ismanhoto também avalia o efeito para o consumidor final como psicológico. “Na prática, de imediato os reflexos serão imperceptíveis. Quando a Selic estava em 18,5% ao ano, o consumidor pagava juros no cheque especial de 200% ao ano. Agora, com a redução, passará a pagar em torno de 100% ao ano, por exemplo. Já em termos políticos, o impacto é grande. Para as dívidas do governo, o reflexo será significativo porque os montantes são grandes. Com essa redução, o governo tenta mostrar que a economia está sob controle, mas não estáâ€, ressalta Ismanhoto.
De acordo com ele, para a população em geral o ideal seria que a redução fosse gradativa, mesmo que com índices menores. Para o economista, o comércio e as instituições financeiras continuarão se apoiando nos índices de inadimplência para justificar que, como a redução da Selic foi muito pequena, não seria possível fazer mudanças significativas nas taxas de juros para o consumidor final.