Uma portaria do Ministério da Saúde editada recentemente vai beneficiar muitas crianças que precisam ser submetidas a pequenas cirurgias mediante anestesia geral. Até então, o Sistema Único de Saúde (SUS) pagava aos hospitais apenas pela anestesia local aplicada a esses pacientes, o que vinha inviabilizando a realização de várias cirurgias em crianças de Bauru.
O pequeno Matheus Costa Rodrigues, 1 ano, que nasceu com o canal lacrimal obstruído, é um exemplo. A cirurgia para desobstrução do canal, que estava marcada para ser feita no Hospital de Base, foi adiada porque, até a semana passada, o SUS não pagava pela anestesia geral, conta a dona de casa Maria Zenilda Costa, mãe da criança.
Preocupada com o adiamento da cirurgia, ela relata que a médica indicou a anestesia geral, que não foi autorizada pelo hospital uma vez que o procedimento não era pago pelo SUS. “A médica disse que o caso dele é urgente, mas que ela não iria fazer a cirurgia com anestesia local. Ele correria risco de sofrer e seria mais trabalhoso para elaâ€, afirma.
Outro caso semelhante é de Giovani Henrique Costa Silva, 5 meses, que nasceu com um tumor sobre o olho direito. A dona de casa Patrícia Paula Costa, mãe do menino, conta que a cirurgia para retirada da inflamação foi marcada para o próximo dia 18, com anestesia local. “Não sei como vai ser porque a médica disse que é o caso de anestesia geral, mas o hospital não autorizaâ€, dizia ela antes de saber da nova portaria do Ministério da Saúde.
O médico Samuel Fortunato, diretor clínico do Hospital de Base, explica que o SUS pagará anestesia geral para cirurgia pediátrica em casos específicos, mediante fundamentação do médico. Fortunato conta que, até pouco tempo, o HB fazia a anestesia geral quando precisava, mas recebia do SUS o valor da anestesia local, que é muito inferior.
“O hospital arcava com a diferença do valor das duas anestesias e pagava o serviço do anestesista. Com a dificuldade financeira, passamos a fazer apenas a anestesia local, paga pelo SUSâ€, diz. Porém, começaram a surgir cirurgias que exigiam anestesia geral.
Fortunato conta que no HB são pelo menos sete casos semelhantes ao de MAtheus e Giovani, cujas mães e pais passaram a pressionar exigindo anestesia geral. “Diante da situação, pedi esclarecimento à DIR (Direção Regional de Saúde-10), que informou que o SUS autorizou a anestesia para crianças excepcionais e que não deixam anestesiar-seâ€, afirma.