09 de julho de 2026
Articulistas

Veneno como outros


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Até o século XIX o alcoolismo era tido como absoluto prazer do regalo bucal. Os usuários o praticavam movidos unicamente pelo desejo de usufruírem do pleno sabor das bebidas que o utilizavam a título de matéria prima, como os conhaques, os vermoutes, champanhas, vinhos, cachaças e, também, naturalmente, os uísques. Deliciavam-se largamente os consumidores com os seus diversos tipos. Mas, a ciência médica teria, um dia, que descobrir nele conceitos de graves enfermidades humanas, excluídos os seus efeitos como aperitivos. E realmente os encontrou, detectando em suas formas elementos fortemente inibitórios do cérebro, como depressor do sistema nervoso central, que tornam sua adoção um dos mais sérios problemas de saúde pública no mundo, produzindo até loucura e amnésia, além de responsável por cerca de 50% dos acidentes de trânsito, com muitas mortes, outro tanto de homicídios e 25% de uma larga variedade de suicídios. Diariamente, os meios de comunicação divulgam e estampam nos televisores e jornais desastres em ruas, avenidas, praças e rodovias motivados por motoristas acometidos por dosagens de líquidos alcoólicos. Todos sabem dos perigos, mas, não obstante, o uso das bebidas jamais teve descontinuidade, ainda que cerceado por leis ou decretos punitivos de sua ilícita prática tanto para condutores de “carangos” quanto para os chamados bebuns encontrados caídos sobre ladrilhos de artérias ou sob passarelas de viadutos. Milhões, no mundo inteiro, rejeitam irresponsavelmente o álcool como produtor de doenças e aplaudem erroneamente o conceito moralista da matéria, se auto-enganando com a triste sensação de que quando bebem parecem sentir-se “mais jovens, cultos, inteligentes, simpáticos, bonitos, ricos, sensuais e auto-suficientes” - conforme realça folheto agora editado por uma organização de combate às drogas - a Casa de Recuperação e Instituição Assistencial - que o ilustre amigo Carlos Sandrin acaba de deixar sobre as mesas da nossa redação, na qual a gente chega a se espantar tomando conhecimento de que qualquer dosagem alcoólica “atinge todos os tecidos do organismo e provoca 350 desordens físicas e psíquicas”.

Nota-se, então, que o vício do alcoolismo é muitas vezes ou bem mais prejudicial à saúde humana que o inerente aos demais tipos de drogas, a exemplo do tabaco, maconha, cocaína, crack, LSD-25, lança-perfume, heroína, êxtase etc, todos de consumo proibido pela legislação, porém, infelizmente, desenvolvido em amplitude, sem que os poderes públicos consigam amordaçá-lo para tirar as pessoas do caminho da destruição. Fora com o álcool, que é droga também, como as outras!!! É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)