Os avanços da tecnologia, o surgimento de novas crenças, a correria do cotidiano, nada disso foi capaz de exterminar a cultura de tradições religiosas. Costumes seculares são passados de pais para filhos e até hoje são praticados com devoção pelos fiéis.
Em Bauru, muitas tradições são mantidas, embora a cidade não seja considerada uma das mais produtivas nesse sentido. “Bauru tem pouca tradição religiosa. É uma cidade formada por migrantes e que mistura muitas culturasâ€, afirma o monsenhor Darcy de Almeida Pinto, da Igreja Senhor Bom Jesus, localizada na Vila Independência.
Mesmo assim, há costumes que ainda resistem ao tempo e à miscigenação da população.
A religião católica se destaca nesse quesito. Cercada de simbologias e rituais, ela mantém seus fiéis unidos através de muitas atividades extra-missa. Os grupos de orações e as festas folclóricas são os principais representantes dessa tradição.
Apesar de ser um dos grandes municípios do Estado, Bauru ainda mantém costumes de cidade pequena, como a Folia de Reis e a Legião de Maria. “Eu observo que as pessoas estão tentando resgatar algo de belo do passado, aquilo que acabou se perdendo com o correr dos anosâ€, salienta o monsenhor Darcy.
Ele explica que esses costumes são de extrema importância para o fortalecimento espiritual dos fiéis e também para melhorar o relacionamento social da população. “As pessoas se unem em torno de um objetivo comum, mantêm um contato constante e fazem muitas amizadesâ€, explica o religioso.
Embora apoie a manutenção dos costumes, monsenhor Darcy alerta que é preciso que seja feita uma constante reciclagem nos moldes deles. â€œÉ necessário se adaptar ao contexto atual e ser atrativo para os fiéisâ€, salientas.
Ele lembra, por exemplo, que há cerca de 40, 50 anos, a grande diversão das famílias era freqüentar as missas aos domingos. “Os jovens aproveitavam essa oportunidade para conhecer gente nova e manter um relacionamento social com pessoas da mesma idade. Hoje temos lanchonetes e praças que cumprem esse papel social. Por isso, a Igreja precisa inovar e buscar alternativas para atrair as pessoas.â€
Sino
No distrito de Tibiriçá, a força das tradições é ainda maior. Com jeito de cidade pequena, o bairro mantém muitos costumes antigos e os moradores são bastante solidários uns com os outros.
De acordo com a dona-de-casa Iracema Rodrigues Ferraz, mais conhecida como “dona†Lola, antigamente o sino da capela de Nossa Senhora Aparecida tocava a cada vez que um membro da comunidade morria. “Era uma forma de comunicar à população que tinha ocorrido um falecimentoâ€, conta.
Acompanhando as novas tecnologias, o sino foi substituído por um alto-falante, instalado na praça central do distrito. É através dele que são anunciados os falecimentos, dia, hora e local dos sepultamentos. “E todos vão ao velório, mesmo que não tenha amizade com a família do falecidoâ€, ressalta.
Outra tradição que é cultivada tanto lá, como em diversos bairros de Bauru, é o terço. Os fiéis reúnem-se a cada semana na casa de uma pessoa do grupo para rezar em consagração a Nossa Senhora.
Uma imagem da santa é levada até a residência e, depois do evento, fica no local durante toda a semana.
Em muitos bairros, a figura da benzedeira ainda é considerada muito importante, principalmente para os pais com filhos pequenos.
Já os praticantes da religião evangélica também mantêm tradições, mas sem utilizar as simbologias que envolvem os católicos.
De acordo com o pastor Edson Valentin, da Igreja Batista Bereana, os principais costumes dos evangélicos são as escolas de evangelização, principalmente as voltadas para as crianças. “Temos também os retiros espirituais, que antes eram realizados só no Carnaval e agora acontecem durante todo o anoâ€, salienta.