08 de julho de 2026
Bairros

Folclore religioso é pouco expressivo

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 2 min

Bauru não é uma cidade de grandes tradições religiosas. A afirmação é do monsenhor Darcy de Almeida Pinto, pároco da Igreja Senhor Bom Jesus, da Vila Independência.

Ele explica que, por ter sido formada por muitos migrantes, a cidade não ficou marcada por expressões de costumes religiosos muito definidos.

A folia de reis por exemplo, que chega a parar algumas cidades em seus festejos, sobrevive na cidade graças a um grupo apenas.

O Grupo Folia de Reis de Bauru, que tem sede no Núcleo Bauru 16, apresenta-se todos os anos no dia 6 de janeiro, cumprindo um ritual de alegria e folclore.

De acordo com o professor da Universidade do Sagrado Coração (USC) Antonio Carlos da Silva Barros, mestre em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, essa tradição não faz parte da construção religiosa de Bauru. “Até o meio da década de 70, a folia de reis tinha alguma força na cidade. Mas depois foi diminuindo e restou apenas um grupo para representar essa festa”, destaca.

Segundo ele, a formação da religiosidade na cidade não comporta esse tipo de tradição. “Tem cidades que param para receber a folia de reis. Aqui as pessoas não estão muito ligadas no ritual”, diz o professor.

Ele ressalta a visita a túmulos de algumas personalidades como tradições de muita força na cidade. “No Dia de Finados, temos uma peregrinação grande a determinados túmulos de pessoas que são consideradas milagreiras, como Mara Lúcia Vieira, por exemplo”, diz referindo-se à garota que foi morta de forma violenta há cerca de 30 anos e é apontada como responsável por alguns milagres na cidade.

As procissões e as festas de padroeiros também são descritas como movimentos religiosos fortes em Bauru.

Barros afirma que as pessoas cultuam com afinco a devoção aos santos como uma maneira de agradecer a eles pelas graças alcançadas. â€œÉ uma demonstração intensa de fé”, destaca.