08 de julho de 2026
Saúde

DST e uso de drogas também preocupam

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

A sede de descobertas e de desafios característica da adolescência pode funcionar como porta de entrada para as contaminações sexuais e o uso de drogas. Além do diálogo, os pais precisam estar atentos às mudanças de hábito e comportamento dos jovens.

De acordo com o urologista Aguinaldo Nardi, a maioria das contaminações por doenças sexualmente transmissíveis (DST) identificadas atualmente ocorre em pacientes com menos de 25 anos. “Algumas dessas doenças podem ser muito graves, como a aids, a sífilis, gonorréia, hepatite C. Podem reduzir a qualidade de vida e até matar”, lembra.

O Guia Prático em DST elaborado pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) apresenta a prevalência de DST em maiores de 12 anos no Brasil. Os dados são do Ministério da Saúde e datam de 1997 e 1998.

Segundo a pesquisa, 33% das pessoas maiores de 12 anos no Brasil é portadora do papiloma vírus humano (HPV); 21% apresentam sífilis; 15% sofrem de gonorréia; 8,5% têm herpes genital. De acordo com Nardi, a doença de maior prevalência, o HPV, pode ser assintomática nos homens, mas é causadora de câncer de colo uterino em mulheres.

A aids, descoberta há cerca de 20 anos, também tem apresentado dados alarmantes. Os últimos dados anunciados pela Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que 60 milhões de pessoas foram contaminadas no mundo desde a década de 80. Destas, 20 milhões morreram. Dos 40 milhões de portadores do vírus da aids que sobrevivem, estima-se que metade deles tenham entre 15 e 24 anos.

Especialistas de todo o mundo são unânimes em afirmar e insistir: o uso do preservativo é a única forma de prevenir a contaminação. Não existe vacina, nem cura para a aids. E, ao contrário do que muitos pensam, o coquetel de medicamentos permite que o portador da doença sobreviva em boas condições de saúde, mas à custa de vários comprimidos diários, inúmeros efeitos colaterais e muito preconceito.

Preocupado com o crescimento de todas estas infecções, o urologista insiste em afirmar que o início da vida sexual entre os adolescentes vai ocorrer, independentemente da vontade ou não dos pais. Então, é muito melhor que isso aconteça com orientação.

“Principalmente sobre o uso do preservativo. Se houvesse uma vacina antiaids, todos nós poderíamos imunizar nossos filhos. Mas não há. Por isso, a criança tem que saber usar o preservativo para não ter problemas quando tiver sua primeira relação sexual. Uma contaminação deste tipo poderia comprometer toda a vida dela”, adverte.

Nardi acrescenta que é a orientação familiar vigorosa e franca que vai garantir um desenvolvimento adequado da sexualidade, de modo que o adolescente tenha uma vida saudável e respeite a si mesmo.

Drogas

A dependência química é outra questão que tira o sono de muitos pais. Na maioria das vezes, o jovem embarca no vício silenciosamente e quando os pais descobrem, a dependência já está instalada.

“O fato é que muitas pessoas desconsideram que as drogas e bebidas alcoólicas são fatores externos que podem comprometer o desenvolvimento do adolescente, tanto físico como emocional”, observa Nardi.

Ele cita estudos que comprovam que a maconha, considerada inofensiva por muitas pessoas e cujo consumo está sendo liberado em muitos países, pode até levar à infertilidade.

“O Jornal de Brasília (27/06/02) trouxe uma matéria ressaltando que o uso da maconha por meninos em fase de desenvolvimento físico afeta o crescimento do pênis e dos testículos, além de poder, a longo prazo, reduzir a fertilidade”, comenta Nardi.

Segundo a reportagem citada, a idade média em que se começa a usar drogas está, atualmente, entre os 12 e 13 anos. O problema é que a maconha consumida a partir de 1990 é prensada com óleo de haxixe, que tem 40 vezes mais tetrahidrocanabinol (THC - substância ativa da maconha) que a planta original.

Para a pediatra Maria Luiza Cury, os pais precisam observar a turma dos filhos. “Nessa fase, existe uma forte tendência de querer ser igual aos amigos. Às vezes, o líder da turma se sobressai por que usa drogas e torna-se mais corajoso, incentivando os demais a usar a droga”, comenta.

Cury chama a atenção para o fato de que não é o traficante que oferece droga para o adolescente pela primeira vez. â€œÉ o amigo. Depois, o próprio adolescente vai procurar o traficante para comprar droga, porque a dependência já estará instalada”, observa.