O prefeito Nilson Costa (PPS) classifica a ação popular como uma medida insensata e eleitoreira. A prefeitura foi notificada na última sexta-feira para apresentar a contestação em 30 dias. O secretário dos Negócios Jurídicos, Luiz Pegoraro, adianta que a base da manifestação da administração será contábil e financeira já que a ação concentra a afirmação de prejuízo na aplicação de correções irregulares da dívida.
O prefeito considera que a transferência da dívida do Chase para o governo federal foi um bom negócio para o município. “As vezes algumas iniciativas beiram a insensatez. Na dívida com o banco estavam acumulados juros de mais de 40% ao ano e a federalização reduziu os juros para 9% e alongou o pagamento por 30 anos, eliminando o risco de confisco das receitas municipaisâ€, diz.
Nilson Costa lembra que pagou dívidas com outros bancos durante os três anos de seu governo. “Mas pagamos dívidas menores, que também não foram contraídas por nós. E nem se vale lembrar que o vereador Clemente aplaudiu a federalização e o saneamento das finanças da prefeitura desde a campanha eleitoralâ€, conta.
O chefe do Executivo também recorda que a prefeitura enfrentava grave crise financeira, que foi eliminada com as renegociações. “Os bancos credores, entre eles o Chase Manhattan, recorreram à Justiça para confiscar as receitas municipais direto na fonte. O limite da oposição política deveria ficar pelo menos no esforço contra o retorno do caos. O vereador pede à Justiça uma liminar que promoveria o retorno do caos à cidadeâ€, reage.
Nilson vê motivação eleitoral na ação popular. “A federalização é do início do ano de 2000, mas só agora o vereador e candidato a deputado federal resolveu apresentar uma contestação. A sua insensatez do pupilo do Tuga é uma medida que tem claro interesse político. Talvez o seu mentor esteja incomodado com a candidatura a deputado estadual do Raul Gomes Duarte, que comandou as ações para que a cidade saísse do caos financeiro. Bauru foi a primeira cidade do País a federalizar sua dívidaâ€, finaliza.
Evolução da dívida
• Em 30 de julho de 1996 o Município de Bauru passou a dever R$ 10 milhões ao Chase Manhattan para o término do viaduto sobre os trilhos da Fepasa.
• A ação popular contesta que, 42 meses depois, a dívida passou para R$ 23.352.248,87, ou seja 233,52% a mais.
• Este valor foi transferido para a União na chamada federalização das dívidas, que incluiu outros débitos do município para pagamento em 30 anos.
• O empréstimo com o Chase, com acréscimo de TR e juros de 31,5% ao ano, foi parcelado em 17 meses consecutivos. O município garantiu os repasses de ICMS e FPM e aceitou multa de 10% sobre as parcelas que não fossem pagas.
• Com o início da inadimplência, o Chase preferiu beneficiar-se da aplicação de multa e TR, mesmo tendo a garantia de confisco das receitas.
• O banco não exigiu o confisco entre junho de 1996 e junho de 1997. Somente no final de junho de 1997 o banco ingressou com ação, mas compondo a dívida com multa e TR e outros acréscimos.
• Já no primeiro acordo assinado por Izzo Filho a a dívida subiu para R$ 14 milhões. A ação contesta falta de lei municipal e autorização do Senado para a operação.
• O primeiro acordo não foi cumprido, mas o Chase aguardou 18 meses sem qualquer medida, sendo beneficiado pela evolução do débito em novas bases.
• Um segundo acordo foi assinado pela cifra de R$ 26,5 milhões em 30 de novembro de 1998. O Chase executou o descumprimento do primeiro acordo e impôs novos acréscimos sem previsão legal.
• Já em 11 de novembro de 1999, na gestão Nilson, pela terceira vez consecutiva, a ação demonstra que a dívida salta para R$ 31,1 milhões contendo as bases da renegociação anterior.
• Em 17 de dezembro de 1999, com a aplicação de deságio sobre os R$ 31 milhões, a dívida é federalizada por R$ 23,3 milhões.
• A ação aponta erros em vencimentos estabelecidos nas negociações e aplicação de cláusulas nulas com deságio calculado sobre valor que estaria acima do real.
• A dívida real para aplicação do deságio sustentada na ação é de R$ 19,4 milhões. O valor final para federalização seria ainda menor.
• O Município teria transferido uma dívida de R$ 23 milhões onde o valor correto, sem as correções sem autorização legal, ficaria em R$ 11,985 milhões, conforme a ação.