Até os 28 anos, a secretária Dailza Damas não sabia nadar. Como nessa época seu filho precisava ter aulas de natação por recomendação médica - ele tinha bronquite -, ela resolveu acompanhá-lo nas piscinas. Seis anos depois, em setembro de 1992, ela se tornou a primeira brasileira a atravessar a nado o Canal da Mancha, entre a França e a Inglaterra. Não satisfeita, repetiu a dose em julho de 1995.
Dailza passou a procurar desde então travessias cada vez mais desafiadoras. A prova mais difícil, na opinião dela, foi atravessar os 25 quilômetros do lago Titicaca, na Bolívia, a 3.810 metros de altitude. “Foi uma tortura para mimâ€, conta a nadadora, que esteve em Bauru na última quarta-feira para uma palestra.
Além do ar rarefeito, o frio de cerca de 7 graus foi o maior obstáculo para a ex-secretária, que usava apenas maiô e touca. “Superar o frio é muito desgastante. Mais psicologicamente do que fisicamenteâ€, relembra Dailza.
A nadadora, natural de Califórnia (PR), revela que o salto da piscina para as travessias em mar aberto se deve a dois fatores: o primeiro é seu biotipo, mais propício à resistência que à velocidade. O segundo motivo, diz Dailza, é sua vontade de superar obstáculos, coisa difícil de ocorrer nas piscinas.
“No mar, você faz todo um planejamento, uma estrutura de prova, mas no dia em que você vai nadar, tudo pode estar diferente. Já na piscina, as coisas são exatamente iguaisâ€, compara Dailza, que já chegou a sair da água com queimaduras graves provocadas por águas-vivas. “Faz parte da travessiaâ€, justifica.
Segundo Dailza, nem os freqüentes encontros com tubarões - como em Fernando de Noronha - a amedrontam. Ela conta que, antes de entrar na água já está preparada para situações como essa. E não é possível desviar a rota. “Nos preparamos para manter a calma, o equilíbrio. Se debater na água é pior, assim como é o dia-a-dia no trabalhoâ€, aponta.
Metas
No ano seguinte à sua primeira travessia do Canal da Mancha - fato que lhe rendeu rápida notoriedade nacional - Dailza resolveu transferir, por meio de palestras, sua determinação, disciplina e planejamento antes de entrar no mar para a vida empresarial.
“Desde 93 tenho feito palestras em várias empresas, justamente colocando minhas experiências em travessia numa linguagem empresarialâ€, relata Dailza. E completa: “Minha palestra não é técnica, é um depoimento. Não fui buscar em nenhum livro, é uma coisa realâ€.
Em Bauru, Dailza deu seu depoimento aos participantes do Círculo do Empreendedor, na etapa “Como atingir metasâ€. Segundo a coordenadora regional do círculo, Ana Luiza Passerotti, a proposta é fazer um treinamento comportamental continuado, que ocorre mensalmente nas empresas participantes. “O projeto visa despertar para mudanças, trabalhar o lado pessoalâ€, diz Ana Luiza.
Na opinião de Dailza, sua experiência de vida pode ser bastante útil aos participantes do círculo, principalmente àqueles que almejam vôos mais altos. “O que eu busco mesmo são as mudanças, as dificuldades. Quero vencer esses limitesâ€, conclui a nadadora.