09 de julho de 2026
Articulistas

Candidatos locais


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É evidente que Bauru precisa de uma representação política sólida e de respeito na Câmara Federal. A falta de um congressista deixa a cidade na orfandade perante a União, único poder com dinheiro em caixa neste País. Mais por deter as chaves do Erário e o controle da Casa da Moeda do que por competência administrativa.

Aqui na província sofremos uma fase regressiva. Por questões macroeconômicas, é verdade. Mas salta aos olhos que a população desmotivada contamina as forças produtoras. Sequer estamos contabilizando as glórias conquistadas no esporte mantido por empresários sem-juízo e dirigida por meia-dúzia de “loucos” abnegados. Há carência de lideranças instigadoras das nossas potencialidades. Nem se exige um novo Franciscato. Basta alguém que saiba sorrir e transmita confiança ao povo angustiado. Evidentemente esses valores somente são postos a descoberto com mandatos eletivos. Daí a necessidade premente de reforçarmos a nossa representação na Assembléia Legislativa e iniciarmos uma nova era na Câmara Federal. Mas como?

Os candidatos a deputado federal e estadual vão sofrer horrores na campanha para conseguir votos que precisam para se eleger. Nos partidos menores ficam na dependência da adesão de 60 mil eleitores ou um Morumbi lotado em dia de decisão. A mídia nacional concentrada na eleição para presidente da República e a regional preocupada com os candidatos a governador e as picuinhas locais, deixam pouco espaço para os que concorrem ao Legislativo. E a situação se complica ainda mais por conta da legislação eleitoral. Na tentativa de evitar favorecimentos, também dificulta a vida dos candidatos que não conseguem aparecer como gostariam nem mesmo no horário eleitoral gratuito, em tese destinado a todos os concorrentes.

Triste sina. O espaço nas emissoras de rádio e TV é tão dividido para atender aos majoritários e à imensa lista dos proporcionais que estes não conseguem chegar aos eleitores com a intensidade necessária para vencer a eleição. Quando muito, os candidatos ao Legislativo terão as suas fotos exibidas com tanta rapidez que o eleitor nem terá tempo de saber quem é quem. Leva vantagem quem já é conhecido por estar repetindo mandatos. Isso não significa que vamos eleger os melhores e quem realmente possa nos representar. Mais da metade (56%) dos votos válidos atribuídos pelos bauruenses aos candidatos a deputado, na última eleição, foram capitalizados por candidatos de fora. Muito poucos por questões ideológicas. O triste é que nenhum dos eleitos jamais retornou a Bauru para perguntar se a cidade estava precisando de alguma coisa.

Outro complicador nesse sistema de eleições casadas: os eleitores terão que apertar 27 vezes os botões da urna eletrônica para escolher candidatos a presidente, dois senadores, deputado federal, governador e deputado estadual. Vai ser uma confusão até para quem tem título universitário e está acostumado a digitar no computador de casa. As pesquisas mostram que poucos se lembram em quem votaram para deputado na eleição de 1998. O sufrágio, hoje, não passa de um trabalho mecânico do dedo indicador. Há que se mudar essa legislação eleitoral para separar as eleições a fim de dar chance aos eleitores de escolherem melhor seus representantes. Muita gente vai simplificar votando para presidente, governador e na legenda. Resultado: os caciques vão mais facilmente garantir sua continuidade.

Poderes públicos, mídia e os próprios candidatos precisam desenvolver uma grande campanha para ensinar o povo a votar. A Justiça Eleitoral poderia emprestar urnas eletrônicas com a finalidade de realização de simulados nas praças públicas e nas escolas. Nunca o santinho, nascido da criatividade do político brasileiro, será tão necessário como nesta eleição. A “colinha” no bolso do cidadão para auxiliá-lo na hora de digitar pode ser a salvação de milhões de votos fadados ao desperdício. (O autor, Zarcillo Barbosa, é jornalista e colaborador do JC)