Jaú - Plantadores de cana da região estão animados com o anúncio da retomada do Programa Nacional do Álcool (Proálcool). Nos próximos dois meses, o governo federal deve reeditar o programa. Mas, antes disso, ele quer que produtores ofereçam garantias de que não irá faltar álcool combustível. Esse teria sido o principal motivo que levou o programa ao fracasso na década de 80.
De acordo com o presidente da Associação dos Plantadores de Cana de Região de Jaú (Associcana), Francisco Paulo Brandão, 70 anos, a retomada do Proálcool vem sendo cogitada há algum tempo.
Há um mês, Brandão participou do aniversário de 25 anos do carro a álcool, no Memorial das Américas, em São Paulo. Na ocasião, a afirmação do álcool como combustível teria sido o assunto principal da festa.
Mais recentemente, há cerca de duas semanas, Brandão esteve reunido com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Sérgio Amaral, um dos maiores incentivadores da retomada do Proálcool.
Durante o encontro, o ministro teria se mostrado preocupado com o sucesso do programa. Para evitar um novo desabastecimento, como aconteceu na década de 80, o governo estuda uma forma de exigir dos usineiros a manutenção da produção do álcool combustível.
Um dos motivos para o fracasso do Proálcool foi a elevação do preço do açúcar no mercado internacional, no fim da década de 80.
A perspectiva de lucro maior fez com que os usineiros diminuíssem a produção do álcool e passassem a investir com mais intensidade na produção do açúcar. Com isso, os proprietários de carros a álcool passaram a enfrentar um sério problema com o desabastecimento.
“Isso aconteceu em 1989, quando cerca de 95% dos carros eram movidos a álcoolâ€, relembra Brandão. “A partir daí, o programa perdeu credibilidade e o trabalho que teremos agora para recuperar a confiança dos consumidores será mais difícilâ€, prevê o presidente da Associcana.
Na próxima quarta-feira, dia 24, Brandão deve voltar a Brasília. Na pauta estarão os últimos acertos da provável visita do ministro Sérgio Amaral a Jaú, prevista para meados de agosto.
A exemplo do ministro, Brandão acredita que será difícil conseguir a colaboração espontânea dos usineiros, quanto ao compromisso para não deixar faltar álcool combustível nas bombas.
Caso o mercado internacional volte a comprar o açúcar brasileiro em grande quantidade, a tendência das usinas é investir no produto, deixando o álcool em segundo plano.
Para Brandão, o governo tem uma série de meios para forçar as usinas a manter a produção de combustível, em níveis razoáveis, sem que haja risco de desabastecimento.
Um desses meios seria sobretaxar a cota de exportação da usinas. Isso tornaria inviável a venda do açúcar ao comércio internacional. O produto ficaria mais caro.
“Essa é uma forma que o governo está imaginando para resolver o assunto. O ministro falou muito com a gente sobre issoâ€, revelou Brandão.
Lançado pela primeira vez em 1975, o Proálcool consiste em estimular a produção do álcool combustível e de automóveis híbridos, ou seja, que possam ser abastecidos tanto com álcool como com gasolina.