11 de julho de 2026
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Sharon: a ofensiva incessante


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A incursão militar israelense de 9 de julho à Universidade Al-Quds e o fechamento dos escritórios do presidente, Sari Nusseibeh, é uma medida extrema. Nusseibeh é um dos mais moderados entre os palestinos de destaque e são conhecidas suas críticas aos suicidas com bombas e seus apelos ao seu povo para que renuncie à exigência de larga data sobre o direito de todos os refugiados palestinos voltarem a viver em seus lares originais em Israel. O mencionado incidente é outra indicação preocupante sobre o alcance e a direção da atual operação militar israelense.

Com bloqueios realizados com tanques em sete dos oito maiores centros urbanos da Cisjordânia, Israel reocupou mais cidades palestinas do que na campanha militar anterior, colocou sob prisão domiciliar 700 mil cidadãos palestinos e, na essência, transforma os territórios em prisões a céu aberto. Entretanto, a chamada Operação Caminho Firme, iniciada em 18 de junho, esta sendo descrita com mais branda que sua antecessora, a Operação Escudo Defensivo.

Entre os palestinos, em toda Cisjordânia a reação que prevalece diante da Operação Caminho Firme e do subseqüente discurso de George W. Bush é de comoção e desmoralização. Alguns cometeram o erro de colocar suas esperanças diante do que fora anunciado como um chamado dos Estados Unidos em favor da construção de um Estado palestino e de uma revogação das atuais incursões militares israelenses.

Em lugar disso, tanto os israelenses quanto os palestinos viram nas palavras de Bush uma “luz verde” para algo exatamente oposto. Quando divulgou-se por rádio o discurso de Bush, casualmente eu estava no campo de refugiados de Jenin, tendo burlado o toque de recolher para cobrir o funeral do menino de seis anos, Bassem Saadi, que foi baleado quando soldados israelenses em jipes chegaram inesperadamente em patrulha.

Poucos são os que podem entender o motivo de Bush acreditar que eleições livres, democráticas e multipartidárias na Cisjordânia e em Gaza, atualmente impossíveis dentro do contexto da reocupação, levariam em toda caso à designação de uma direção palestina mais branda. É muito mais provável que se os palestinos substituírem Arafat em sua atual liderança isso seja não só o resultado das acusações feitas contra ele de ser corrupto, mas também demasiado submisso.

A persistente pergunta que muitos palestinos e organizações israelenses contrárias à ocupação se fazem é se a Operação Caminho Firme de Sharon realmente tem saída. Há um indício para uma resposta em Gilo, um assentamento maciço na parte sudoeste de Jerusalém. À beira de uma linha de espetaculares casas novas, uma equipe de operários está trabalhando incansavelmente para erguer uma barricada de centenas de metros de comprimento. Essa barreira tem por finalidade dar segurança aos colonos israelenses, separando-os fisicamente da vizinha comunidade palestina, localizada a poucos metros. Porém, a barricada vai muito além e também começará a isolar o município palestino de Beit Jala do resto de Jerusalém. (Ian Urbina é editor-associado do Middle East Report, de Washington)