A história se repete todos os anos. Com a chegada do inverno, os motoristas passam a enfrentar dois novos problemas nas estradas. Além dos perigos corriqueiros, que independem de época, o período mais frio do ano traz consigo muita neblina e fumaça. Isso exige dos motoristas muita cautela e atenção redobrada.
Com o início da colheita da cana-de-açúcar, geralmente no meio do ano, começa a temporada das queimadas. Mais concentrada no período noturno, a queima da palha da cana, quando feita próxima a rodovias, contribui para aumentar o risco de acidente.
Mas não é só o fogo no canavial que representa perigo. Com a falta de chuva, grande parte do mato, que fica às margens da rodovia, seca e torna-se facilmente inflamável.
Uma simples bituca de cigarro acesa, lançada pelo motorista através da janela do veículo, pode representar um grande transtorno. Além de ser perigosa, a prática é considerada crime ambiental.
De acordo com o artigo 172 do Código Penal, arremessar objetos para fora do veículo e motivo de autuação do infrator.
Desde que comprovado, o crime pode representar a perda de quatro pontos na carteira de habilitação e uma multa equivalente a 80 Ufirs - cerca de R$ 85,00.
Em razão disso, uma das principais recomendações da Polícia Rodoviária aos motoristas é que evitem jogar lixo e bitucas de cigarro, ainda acesas, para fora do veículo.
Mas caso se depare com a neblina ou a fumaça, o motorista deve parar o veículo. A dica da Polícia Rodoviária é estacionar o veículo em um local seguro, de preferência fora do acostamento. Porque é por essa via que trafegam ambulâncias e viaturas em casos de emergência.
Feito isso, o motorista, e quem estiver com ele, deve sair do veículo para evitar problemas mais graves, em caso de acidente.
Mas se não houver meio de adiar a viagem, a polícia dá outras recomendações aos motoristas.
“Diante da neblina ou fumaça muito intensa o melhor é não prosseguir. Mas se resolver seguir viagem, não pareâ€, alerta o capitão Augusto Francisco Cação, da Polícia Rodoviária de Bauru.
A dica é reduzir a velocidade e prosseguir a viagem, de preferência com os faróis baixos. “Não adianta acender o farol alto, nem na neblina, nem na fumaça. Em contato com as partículas de água, os faróis refletem para cima. Isso diminui a visibilidade. Portanto, a recomendação é manter a luz do farol baixaâ€, advertiu.
Ligar o pisca-alerta com o veículo em movimento definitivamente não é uma boa alternativa. O dispositivo simboliza que o veículo está parado. Essa indicação, quando feita de forma equivocada, pode provocar acidentes com os veículos que vêm atrás.
Uma alternativa válida, segundo Cação, é ligar a seta. Com isso, é possível despertar a atenção dos motoristas que se aproximam.
Como alguns veículos têm a luz traseira muito fraca, o uso da seta reforçaria a sinalização. Mas como o próprio capitão alerta, não é para ficar com a seta ligada o tempo todo. â€œÉ para ser usada apenas quando algum veículo estiver se aproximandoâ€, ressaltou o capitão Augusto.
Imprevisível
O horário mais crítico para a ocorrência de neblina é sempre ao amanhecer. No entanto, a fumaça produzida pelas queimadas é imprevisível.
Se houver uma combinação desses dois fatores, a situação fica ainda mais grave. Foi o que aconteceu na rodovia Castelo Branco, há duas semanas, quando vários veículos foram envolvidos em seguidos acidentes, supostamente provocados pela má visibilidade da pista.
No momento dos acidentes, havia muita neblina e fumaça no local. Seis policiais de Bauru morreram em um dos acidentes.
Em situações semelhantes a essa, quando a visibilidade na pista é bastante ruim, a Polícia Rodoviária de Bauru normalmente disponibiliza viaturas para alertar os motoristas.
De acordo com o capitão Augusto, os trechos mais críticos para a ocorrência de neblina geralmente são declives ou próximo a rios.
A colaboração dos motoristas, com informações sobre os pontos de má visibilidade, é sempre bem recebida pelos policiais. Por meio de telefone celular ou mesmo nas bases da Polícia Rodoviária é possível informar quais são os trechos mais problemáticos.
No entanto, há limitações a serem consideradas. “Em Bauru, se houver neblina ou fumaça em quatro lugares diferentes não temos viaturas suficientes para estar em todos esses lugaresâ€, revela o capitão. “Nesse caso, temos que decidir quais são as prioridades.â€
Outra preocupação da polícia, nessa época do ano, é com animais na pista. Com a falta de chuva, o pasto seca e os animais procuram as margens da rodovia, onde o mato geralmente resiste mais.
De acordo com o capitão Augusto, a estatística mostra que o maior índice de acidentes com animais é registrado no perímetro urbano.
Enquanto na zona rural os animais ficam presos no pasto, na cidade usa-se geralmente uma corda para prendê-los. Nesse caso, a probabilidade de fuga, segundo o capitão, é bem maior. E quando isso acontece, o risco de acidente é alto.
Índice de queimadas dispara
Os focos de incêndio vêm aumentando de forma constante nos últimos dois anos, embora a distribuição das queimadas pelo País nem sempre seja a mesma. Nesta última quinzena, porém, os registros dos satélites NOAA saíram do padrão, chegando a ser 172% maiores do que os do ano passado.
Durante todo o mês de junho foram detectados 10.903 focos de incêndio, um aumento de pouco mais de 22% sobre os 8.438 focos de junho de 2001.
Na primeira semana deste mês de julho, já foram 2.571 registros, contra os 1.339 de igual período de 2001, uma diferença de 92%. E na última semana os índices dispararam, com os 3.671 focos de fogo detectados entre 8 e 14 de julho, quando na segunda semana de julho de 2001, o total foi de 1.345 focos (diferença de 172%).
Para tentar diminuir estes índices e, sobretudo, evitar os incêndios em áreas de preservação, a entidade ambientalista Conservation International (CI-Brasil) lançou sua segunda campanha publicitária, agora com o slogan “Sem o controle das queimadas todo mundo perdeâ€.
A campanha conta com comerciais de 30 segundos para TV, seis programas para rádios comunitárias, de 10 minutos cada; cartazes e impressos para mala direta, a serem enviados aos produtores do Pantanal Matogrossense.