09 de julho de 2026
Bairros

Sai a lista de veículos que vão a leilão

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Os proprietários dos veículos apreendidos e que estão na lista de leilão público têm 30 dias para quitar os débitos e evitar a venda de seus bens. São quase 1.100 veículos entre carros, motos, caminhões até ônibus que lotam o Pátio Bauru e podem ir a leilão a partir de 22 de agosto.

A partir dessa data, o leilão poderá se realizado desde que tenham sido concluídas a vistoria e a avaliação individual de cada um dos veículos, explica o delegado Dernival Mauro Inforzato, diretor interino da 5.ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran). A lista dos veículos que podem ir a leilão foi publicada na edição de ontem do JC.

Apesar da notificação pública, a maioria dos veículos não deve ser procurada por seus donos por causa do alto valor da dívida, na opinião de Mário Martins, sócio-proprietário do pátio. “Há veículos velhos e batidos que têm mais de R$ 10 mil de débitos entre multas, serviço de guincho e diárias do pátio”, conta.

Um exemplo é um Fusca verde, ano 73, apreendido há mais de um ano e que tem exatos R$ 10.020,20 de débitos. Outro caso semelhante é o de uma Brasília vermelha, ano 74, envolvida em acidente de trânsito, cujo proprietário terá que desembolsar R$ 10.240,03 se quiser retirá-la do pátio.

Inforzato explica que após os 30 dias, a contar a partir de ontem, será publicado um novo edital estipulando a data de visitação pública dos veículos que serão leiloados. Ele orienta os proprietários de veículos que estão na lista do leilão a procurar a Ciretran ou um despachante para verificar os débitos junto ao Departamento de Trânsito (Detran) e avaliar se compensa ou não a quitação do valor.

Já as despesas relativas ao serviço de guincho e estadia dos veículos no pátio devem ser verificadas na própria empresa, que fica no Jardim Jussara. Martins, sócio-proprietário do pátio, anuncia que está oferecendo desconto de até 80% na dívida de estadia para os veículos que estão na lista do leilão.

Ele explica que está oferecendo descontos para facilitar a retirada dos veículos antes do leilão. “Mais de 90% dos carros estão carregados de multa e não serão procurados pelos donos porque o débito é bem superior ao valor do bem. Se não dermos um desconto da dívida da estadia, fica mais difícil ainda serem retirados”, revela.

Martins tem interesse que os veículos sejam retiradas por seus proprietários porque, se forem a leilão, a estadia só será paga após a quitação de outras dívidas. “Além de, em muitos casos o valor apurado com o leilão do veículo ser bem inferior aos débitos, primeiro serão pagas as despesas com leiloeiro e publicação de edital. Depois, se sobrar, paga-se o pátio”, afirma.

Martins reclama que não é raro fechar o mês com prejuízo na empresa. “Como depositário fiel, o pátio é obrigado a contratar seguro para todos os veículos e temos seis vigias. Além disso, os veículos que foram roubados e furtados não pagam diária”, afirma.

O Pátio Bauru foi nomeado pelo Estado como depositário fiel em casos de apreensão policial ou remoção por outro motivo qualquer há 14 anos.

O último leilão de veículos apreendidos em Bauru foi realizado em novembro de 1999. Martins estima que 90% dos veículos que estão na lista do leilão não têm mais condições de rodar. “São veículos que só servem para sucata”, afirma.

Vários carros estão há mais de um ano no pátio, de acordo com Martins. “Por isso o pátio está lotado e tivemos que colocar veículos em terrenos ao lado, que são cercados só por alambrados”, conta. Para ele, o leilão deveria ser realizado a cada 90 dias.

Um veículo apreendido recolhido ao pátio não é retirado por menos de R$ 100,00 já que o proprietário tem que pagar o guincho, a diária e a vistoria. A taxa de guincho é de R$ 60,00 (durante o dia) e R$ 70,00 (à noite). A diária, para veículos de passeio, é de R$ 11,57, enquanto a taxa de vistoria é de R$ 58,00.