Dois homens armados de revólver renderam os funcionários do 1.º Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais, localizado na quadra 18 da rua Antônio Alves, na área central de Bauru, e roubaram um livro de registros. Eles levaram o livro de número 23, que continha escrituras de fazendas e outros imóveis, inclusive bens em outros Estados.
O assalto inusitado aconteceu por volta do meio-dia e intriga a polícia, que quer saber a quem poderia interessar o sumiço do livro. Uma equipe da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) trabalha na investigação.
Os ladrões obrigaram todos os funcionários a deitar no chão e perguntaram pelo livro número 23. Após achar o livro, que estava em um armário, eles fugiram sem deixar pistas. O cartorário Ademilson Luiz Mendes Novelli e o juiz corregedor, Mauro Ruiz Daró, preferiram não comentar sobre o roubo.
O titular da DIG, J.J. Cardia, não quer arriscar um palpite. Ele diz apenas que a equipe está investigando e que ainda não há suspeitos. Há informações extra-oficiais de que o livro roubado faz parte do rol de documentos registrados pelo cartório de Tibiriçá e que foi transferido para o cartório de Bauru por decisão judicial.
A transferência dos documentos teria sido feita após atentados contra o cartório de Tibiriçá nos anos de 1998 e 1999. Por três vezes consecutivas, tentaram atear fogo no cartório. Na época, suspeitou-se que os atentados teriam ligação com os atos políticos que estavam ocorrendo em Bauru, por ocasião da caçassão do mandato de Izzo Filho como prefeito.
Porém, há informações de que o objetivo dos incendiários era destruir alguns documentos, por motivo não esclarecido, mas não haveria interesse político. Em março de 1999, a polícia prendeu em flagrante o frentista José Carlos Sirilo, que confessou ter sido contratado e pago por um morador de Agudos para atear fogo no cartório.
Com a confissão de Sirilo, a polícia descartou a possibilidade dos atentados terem alguma ligação com a política local. Informações extra-oficiais dão conta de que o 1.º Cartório de Registro Civil de Bauru vinha sendo vítima de tentativas de furtos nos últimos meses, fatos que podem estar ligados ao roubo de ontem.
Recentemente, duas pessoas estiverem no cartório à procura de uma escritura que consta no livro roubado, mas não tiverem acesso ao documento.