08 de julho de 2026
Cultura

Cidade já teve sinfônica

Por Luciano Dias Pires | Especial para o JC Cultura
| Tempo de leitura: 3 min

Para os antigos moradores, não será novidade falarmos da Orchestra de Concertos Symphonicos (ortografia da época), que se apresentou com êxito no início da década de 30, face à dedicação do maestro Guilherme Barberi (diretor-regente) e também da ativa participação dos músicos de Bauru, os quais, unidos, não mediram esforços para, naquele ano de 1931, oferecer à cidade brilhantes apresentações que deixaram saudade.

Perguntamos: se em 1931 tínhamos uma sinfônica, quando a população da cidade deveria ser no máximo de 30 mil moradores, por que hoje, quando possuímos mais de 350 mil habitantes, não possuímos uma organização musical como aquela?

Pesquisando nos jornais da época vamos encontrar, no Correio da Noroeste, de 5 de novembro de 1931, a seguinte notícia: “Realizou-se anteontem, conforme se esperava, a primeira apresentação da orquestra da Sociedade de Concertos Symphonicos.

Ótimo resultado. Acima de qualquer expectativa. Não encontramos, após o recital, quem não se sentisse entusiasmado.

Houve, mesmo, momentos de profunda comoção, de manifesto interesse e a melhor prova de satisfação que a culta platéia deu aos esforçados executantes, foi a maneira pela qual, findo o concerto, se deixou ficar imóvel nas poltronas, numa espontânea significação de ter se inebriado com o ambiente artístico, o que fez com o maestro Barberi repetisse o trecho final de “Mefistofele”, de A. Boito.

Houve surpresa por parte dos que não acompanham muito de perto a evolução artística da cidade. Houve quem não esperasse contar Bauru com tão apreciável reserva de elementos artísticos. Marcado para as 21 horas e meia, já a esse tempo o elegante Theatro Brasil (era localizado defronte ao Cine Bauru e depois passou a se chamar Cine S. Cristovão que teve as suas instalações destruídas por um incêndio), se apresentava literalmente cheio.

Com dificuldade os retardatários conseguiram as últimas poltronas, quando os 33 executantes surgiram no palco, recebidos por prolongadas palmas.

Apresentou-os o dr. Heitor de Andrada Campos, e assumindo a regência da orquestra, o maestro Guilherme Barberi iniciou o concerto com “Cenerentola”, sinfonia de G. Rossini.

A história da saudosa Sinfônica de Bauru poderá ser escrita em duas partes, pois ela teve uma interrupção face a ausência de Guilherme Barberi de Bauru por algum tempo. Com a sua volta, ela retornou à ativa, mas com a morte de seu regente, acabou encerrando definitivamente as suas atividades.

O elenco da orquestra, cujos nomes foram extraídos do programa do concerto inaugural, era assim formado: diretor-regente, Guilherme Barberi e os músicos: piano, José Torres Brito; harmonium, Togo de Castro e Miguel Ruiz; violinos, Álvaro Mello, Benedito Ribeiro, Sebastião Ferraz Napoles, Dorival de Godoy (pai dos irmãos Godoy), Aymoré do Brasil, Giácomo Bordino, João Martins Ribeiro, Jacyntho Cardarelli, Mário Ribeiro, Bruno Caltabiano, Paulo Schmauch, Moacyr Camargo e Liberto Resta; violoncelos, Henrique Volpini (diretor interno) e José Maciel; flautas, Bento Aguiar Souza, Javoleno Vaz e Octávio Zani; clarineta, Haroldo Breviglieri; oboé, Justino Marchesan; piston, José Faria; saxofones, Candido Neiva e Neftaly Moura; trombone, José de Azevedo Marques; contrabaixos, Paulo Gambetta, José Duque Cezar, José Maciel Sobrinho e, baterias, Benedicto Raymundo, Renato Tâmbara e Pedro de Azevedo Marques.

Esta lembrança só foi possível graças à cooperação recebida há tempos do saudoso maestro Renato Tâmbara, bauruense que também esteve ligado não apenas à vida empresarial, mas igualmente ao setor musical, face à sua atuante presença como responsável por uma orquestra que durante muitos anos animou os nossos bailes, nos diferentes clubes de Bauru e região.