O valor das transações com cartão de crédito no País no segundo trimestre (abril, maio e junho) de 2002 aumentou 9% em relação ao mesmo período de 2001, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abec). Embora o cartão seja mais cômodo para o cliente e mais seguro para as lojas, os comerciantes ainda reclamam das taxas de administração.
No segundo trimestre de 2002, segundo a Abec, o valor total de transações com uso de cartão somou R$ 16,66 bilhões, contra R$ 15,29 bilhões registrados nos mesmos meses do ano passado.
O número de cartões em uso no Brasil também cresceu. São 38,5 milhões no último trimestre, número 24% superior ao verificado no mesmo período de 2001.
Em contrapartida, o índice de cheques sem fundos na praça continua alto. As informações são da Serasa, maior empresa do País no setor de informações de crédito. Apesar do registro de queda de 8% em junho deste ano em comparação com maio, o número de cheques devolvidos é 1.270% maior que o registrado em junho de 1994, mês em que o Plano Real teve início. (Veja gráfico em anexo)
Mesmo com a ameaça crescente da inadimplência, o diretor do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) em Bauru, Sérgio Evandro Motta, revela que os comerciantes preferem arriscar no cheque a perder parte do lucro nas vendas com cartão de crédito. â€œÉ seguro, mas o custo para o lojista ainda é altoâ€, afirma.
Segundo Motta, o lojista paga uma taxa de operação que varia de 3% a 5%, dependendo da administradora, mais o custo do aluguel das máquinas, cerca de R$ 90,00 cada.
Além disso, o comerciante é obrigado a oferecer o mesmo desconto das compras à vista para as feitas através de cartão de crédito. A diferença é que, no segundo caso, o dinheiro da venda só chega após um mês. Para o comerciante pequeno, com pouco capital de giro, parte do lucro é perdido nessa operação.
Incentivo ao uso de cartão de crédito, por parte dos lojistas, só mesmo para consumidores de outras localidades.
Popularização
De acordo com Motta, a demanda pelo uso do cartão vem dos consumidores, que cada vez mais têm acesso à chamada “moeda de plásticoâ€. “O cartão sempre foi uma coisa mais elitizada, mas as administradoras têm feito esforços para popularizá-loâ€, diz.
Para o economista Carlos Sette, a praticidade é o grande atrativo do cartão de crédito. “O cartão facilita a vida do consumidor, que não precisa andar com dinheiro ou talão de cheque no bolsoâ€, observa.
Outra vantagem para o consumidor é o “fôlego†de 30 dias para as compras com cartão. O usuário pode adquirir o produto à vista e só vai receber a fatura depois - e sem custo sobre a transação.
Sette aponta a segurança como o principal item a ser levado em conta pelos comerciantes ao trabalharem com cartão de crédito. “Embora o lojista pague uma taxa de operação, para ele é seguro. Se o cartão passou, o cartão paga o lojistaâ€, diz.
Por outro lado, o economista admite que, para o pequeno comerciante, a “moeda de plástico†não é uma boa alternativa. “O uso do cartão é irreversível, e o lojista pequeno vai ter de se adequar a isso e encontrar uma outra maneira de recuperar a parte do lucro que está indo para o cartãoâ€, aponta Sette.