09 de julho de 2026
Cultura

Sesc exibe as lembranças de Fellini

Da Redação
| Tempo de leitura: 2 min

“Amarcord”, um clássico da cinematografia mundial dirigido pelo italiano Federico Fellini, será exibido hoje, às 20h, no Sesc.

Realizado em 1974, o filme é considerado sua obra mais popular. Com ele, o diretor venceu o Oscar de filme estrangeiro em Hollywood. Como em todos os seus filmes, a imaginação supera qualquer compromisso com a realidade.

Em “Amarcord” (que significa “eu me recordo”, no dialeto da Romagna, onde fica sua cidade natal, Rimini), Fellini faz, através de uma série de uma série de episódios lúdicos e cômicos, uma despedida da adolescência ao lembrar dos tipos caricatos e espalhafatosos de um vilarejo italiano nos anos 30.

Lá estão os fanfarrões, as manifestações do fascismo e o despertar sexual dos jovens. Fellini mostra um povo orgulhoso do passado, passivo no presente e com esperança em relação ao futuro.

Nenhum outro cineasta atingiu tal nível de linguagem onírica. A aparição do monumental transatlântico Tex, orgulho fascista, iluminado por lanternas é considerada uma das grandes cenas do cinema

O diretor

Um dos grandes gênios da história do cinema, Federico Fellini criou um estilo tão particular que deu origem ao adjetivo “felliniano”. Tendo calcado grande parte do seu trabalho em suas próprias vivências, conseguiu atingir dimensão universal com seus personagens bizarros, verdadeiras caricaturas humanas.

Nascido em Rimini, às margens do Adriático, Fellini foi cartunista, chargista e repórter na juventude. Colaborou no roteiro do clássico “Roma, Cidade Aberta”, que deu origem ao movimento neo-realista.

Estreou em parceria com Alberto Lattuada em “Mulheres e Luzes”, estrelado por sua mulher, Giulietta Masina. Com ela, faria seus maiores sucessos dos anos 50, “La Strada” e “Notti di Cabíria”.

Em 1960 chocou os italianos com “A Doce Vida” e em 1963 realizou um de seus trabalhos mais perfeitos, “Oito e Meio”, sobre os dilemas de um diretor às vésperas da realização de um filme. A obra foi muitas vezes citada e copiada.

Em 1974, fez “Amarcord” e no começo da década de 80, irritado com o domínio da televisão sobre a vida das pessoas, atacou o veículo em “Ginger e Fred”, com Masina e Marcello Mastroiani. Homenageado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood com um Oscar especial em 1993, o cineasta ficou doente pouco depois e morreu em 1994. Giulietta não agüentou a solidão e se foi poucos meses depois.

Serviço

“Amarcord”, de Federico Fellini. Hoje, às 20h, no Sesc. Entrada Franca. Av. Aureliano Cardia, 6-71. Informações: (14) 235-1750.