08 de julho de 2026
Esportes

Memória - Valor que se vai


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Éramos cronista esportivo, mas, na verdade, o que mais nos seduzia e impulsionava em nossa carreira era o futebol, naquele tempo essencialmente amadorista. Tanto admirávamos o esporte dos gramados que exatamente, mais em função dele que de outro, fomos um dos fundadores da Associação dos Cronistas Esportivos de Bauru. Alguma coisa entendíamos, também, de bola ao cesto, hoje referido como basquetebol. Contudo, era muito pouco, porque esse esporte, tendo como cancha uma quadra, da qual temos saudade, situada na Praça. D. Pedro II, eixo da Rua Azarias Leite, era quase nada exibido na cidade. Mas, havia entre nós um esportista que embora gostando imensamente de futebol, pois não faltava a nenhuma, transparecia-se amante apaixonado de tênis, tanto que exercia, há anos, o cargo de diretor esportivo do Bauru Tênis Clube e se batia, calorosamente, pela revelação de valores para o esporte da raquete, eis que não admitia que esse setor, ainda que nobre e bonito, se mantivesse indefinidamente restrito a alguns poucos jovens, filhos de associados, e a reduzido número de seus genitores de ambos os sexos.

O que estaria faltando para que a situação se modificasse? Seria em razão do consenso segundo o qual o tênis era tido e havido como esporte aristocrata? Seria, ainda, por carência de divulgação da espécie? - questionava o amigo. E, um dia, decidiu ele testar a terceira dimensão. Pegou seu telefone e discou para todos os cronistas esportivos dos jornais e rádios existentes: Folha do Povo, Correio da Noroeste, Diário de Bauru, Jornal do Interior, Bauru Rádio Clube, Rádio Auriverde e Rádio Terra Branca. E foi direto, convidando todo o pessoal para ir conhecer as regras e aprender a usar a raquete. Foi imediatamente atendido, conseguindo arrastar para as quadras do Tênis, então em sua primeira sede, cronistas como Horácio Alves Cunha, Luciano Dias Pires, Nilson Costa, Jehovah de Oliveira (Valzinho), Milton Silles de Freitas, Lourivete de Castro, Alonso Campoy Padilha, Hilário Pereira Guedes, Nélson Reginato do Canto, Hélio Alonso e este jornalista, além de outros que escapam à nossa memória. A partir daí conseguiu ele constituir uma plêiade de praticantes e propagadores das coisas tenísticas, incentivando não poucos bauruenses na sua prática, muitos dos quais continuam ainda hoje, indiferentes à idade. Como funcionário categorizado do Banco do Brasil, ele transferiu-se posteriormente para a Paulicéia, deixando recordações que, agora, mais espaço ganham na memória e consideração bauruense, ao receber-se notícia de seu falecimento. Seu nome: Dahyl de Freitas Guimarães, que, face aos magníficos exemplos de cidadania e amizade que deixou para seus pósteros, está, certamente, muito bem sentado ao lado dos melhores anjos. (O autor, Nadyr Serra, é o jornalista responsável do JC e sócio-fundador da ACEB).