09 de julho de 2026
Bairros

Laudo descarta remoção de moradores

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

O solo nas proximidades do Setor Metalúrgico da Ajax está contaminado por chumbo, mas não em níveis que exijam a remoção dos moradores de suas casas. Essa é a conclusão da Direção Regional de Saúde (DIR-10) com base nos resultados das análises de amostras de terra coletadas no local e que foram divulgados ontem.

Porém, Affonso Viviani Júnior, diretor técnico da DIR, explica que esses laudos, relativos a amostras de terra colhidas a 20 centímetros da superfície do solo, não foram suficientes para encerrar a investigação. Por isso, conta ele, recorreu-se à análise de amostras de terra da superfície.

Dependendo dos resultados das novas amostras, poderá ser necessária a adoção de alguma outra medida, já excluída a remoção dos moradores, em alguns pontos. “Os resultados das análises das amostras coletadas em 14 e 15 de maio são bem inferiores a 350 miligramas de chumbo por quilo de terra, índice que, de acordo com a Cetesb, passa a exigir intervenção”, diz.

A previsão de Viviani Jr. é que a Cetesb divulgue os resultados das novas análises, cujas amostras foram coletadas no último dia 4, até o início da próxima semana. “Vamos aguardar os novos laudos para sabermos se será ou não preciso adotar alguma medida. O que está totalmente descartada é a remoção dos moradores”, ressalta.

Do total de 31 amostras de terra analisadas na primeira etapa, duas delas apresentaram índice de chumbo bem superior às demais. O valor mais alto foi de 200 microgramas do metal por quilo de terra, relativo ao ponto de coleta nas margens da lagoa do córrego Vargem Limpa, junto à rodovia Bauru-Jaú.

O segundo maior índice de concentração de chumbo é o da amostra coletada próxima a uma nascente em frente à Ajax, que continha 169 microgramas do metal por quilo de terra. “Ambos os resultados revelam alteração e são valores que indicam necessidade de alerta”, afirma Viviani Jr.

Os demais resultados oscilam até 100 microgramas do metal por quilo de terra, mas a maioria está na casa dos 50 microgramas. Para a Cetesb, valores de até 100 microgramas por quilo de terra, em coletas de 20 centímetros de profundidade, revelam solo limpo e natural.

De 100 a 300 microgramas do metal por quilo de terra, significa alteração no solo e é um sinal de alerta. Índices superiores a 350 microgramas de chumbo por quilo de terra são preocupantes e exigem intervenção.

Novos laudos

O diretor técnico da DIR frisa que as novas análises vão mostrar se há alta concentração de chumbo na superfície do solo, o que poderia causar a recontaminação. Para adoção de medida de intervenção, além dos resultados dos laudos, é considerada a oscilação do índice de chumbo no organismo das crianças examinadas.

Ele afirma que a concentração de chumbo no sangue das crianças que moram na região da Ajax tem reduzido, passando de 20,43 microgramas para 17,67 microgramas, numa média geral. â€œÉ uma redução significativa’, afirma. Viviani Jr. garante que todas as crianças com alteração para o metal continuam sendo monitoradas.

O setor metalúrgico da Ajax está interditado desde o final de fevereiro. Desde então, das pessoas submetidas a exames de sangue, 273 crianças e uma gestante apresentaram alteração para o chumbo.

A Comissão Municipal de Saturnismo, formada para acompanhar a investigação de contaminação, deve reunir-se nos próximos dias para analisar os resultados dos laudos. A informação é do vereador José Humberto Santana (PV), que preside a comissão.

Ajax

A Ajax, através de sua assessoria de imprensa, informa que aguardará os resultados dos novos laudos com tranqüilidade. “Acreditamos que os resultados de superfície não sejam muito diferentes dos já divulgados, que são bem inferiores a 350 microgramas por quilo de terra, o que afasta a necessidade de intervenção”, diz a assessora.

Os resultados da Cetesb não divergem muito dos laudos encomendados pela Ajax à Falcão Bauer e à Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Jaboticabal, cuja concentração mais alta de chumbo foi de 97 microgramas por quilo de terra, informa a assessoria. Sobre a opinião da diretoria do Vidágua, de que os laudos revelam necessidade de impermeabilizar o solo, a assessoria de imprensa frisa que a Cetesb não prevê essa medida para os índices encontrados.