08 de julho de 2026
Ser

Minha história - Minha forma de amar


| Tempo de leitura: 4 min

Desculpe-me, mas eu não sei amar. É, eu não sei. Passei minha vida toda tentando aprender isso e hoje eu sei que foi em vão.

Digo isso porque o que sempre me disseram é que o verdadeiro amor é unilateral. Amar e não esperar, nem tampouco querer algo em troca. Amar pelo simples fato de amar, se bem que, para mim, isso parece muito complexo, sem nada de simples. Amar a pessoa pelo que ela é, pelo que ela faz, independente de você estar ou não nos seus planos; não esperar mudança alguma no comportamento dela. Amar seria querer ver a pessoa amada feliz, sem relevar o fato dela talvez não estar ao seu lado. Amar incondicionalmente, sem restrições, sem querer apoderar-se da pessoa. Sem ao menos esperar que essa pessoa um dia venha até você e o agradeça pelo seu amor por ela.

Desculpe-me, mas meu amor não é assim. Eu o amo, mas eu espero, eu quero que você me ame também. Eu dou e espero receber. Eu só consigo ver o amor bilateral: você recebe pelo que você dá. Você ama à medida que você é amada.

Eu não consigo imaginar-me amando alguém que sequer sabe que eu existo, e que, muito menos, sabe que eu o amo. Eu não consigo entregar-me sem esperar uma retribuição da sua parte. Nem tampouco consigo imaginar a possibilidade que você talvez fosse mais feliz com outra pessoa. Eu o quero ao meu lado!

Há dias atrás eu estava arrancando do meu coração esse amor. Amor, pra mim, também é dedicação, retribuição. Mas eu não estava recebendo nada pelo tudo o que eu lhe dava. E um medo começou a crescer dentro de mim. Medo de abrir-me para você, dar-lhe todo o meu amor e não receber nada em troca. Insegurança. E por alguns instantes eu cheguei a crer que não o amava mais. Que o meu amor por você estava extinto.

Mas eu o reencontrei (Ah! Longos momentos que passamos separados um do outro...) e descobri que o amor ainda vivia, e vive. Ele estava apenas bem guardado, como uma lagarta em um casulo. E bastou eu vê-lo para que esse amor emergisse ainda mais forte, como se tivesse, como se tivesse passado por uma metamorfose e, o que era uma lagarta, agora é uma borboleta.

E eu, por alguns instantes, vivi intensamente esse amor. Até deparar-me novamente com a realidade: a realidade que você nem sempre corresponde a tudo o que eu faço.

Mas hoje me lembrei de uma frase, eu não sei as palavras corretas, nem quem as disse, mas era algo como “não é porque alguém não te ama da forma que você esperava, que essa pessoa não te ama com todas as suas forças”. Por vezes fico me perguntando se o problema maior sou eu, por eu não estar conseguindo perceber a forma com que tem me retribuído. Talvez porque eu espero tanto uma coisa, que estou cega às outras.

E essas questões não saem dos meus pensamentos. E eu fico perguntando-me se não estou fazendo demais por você. Se você acaso merece o meu amor, a minha dedicação.

Quanto aos erros que cometi, serviram para a transformação do meu amor. Para o fortalecimento. E saiba que doeram mais em mim do que em você. Eu posso enganá-lo, mas não me enganar. As vezes é necessário que o pior aconteça para que possamos aprender.

Desculpe-me se sou tão egoísta, mas o amor para mim é uma troca, está em constante movimento, e esse movimento tem duplo sentido. Eu não amo por amar, mas eu amo para ser amada. Eu o amo porque eu espero que você me ame em retribuição. Eu o amo para te fazer feliz, e para ser feliz também.

Não irei mentir, dizer que talvez um dia essa minha forma de amar possa mudar. Não. Muito provável que continue como é. Mesmo porque eu prefiro assim.

Eu digo isso porque eu sei que, se você realmente me ama, poderá compreender essas minhas palavras, e que possivelmente sinta o mesmo. Embora eu não tenha absoluta certeza dessa minha última afirmação.

Agora, cabe a você aceitar ou não as condições desse amor. Cabe a você decidir continuar ou não ao meu lado.