10 de julho de 2026
Política

Serra critica carta de Ouro Preto de Ciro

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

O senador José Serra (PSDB) instaurou o primeiro confronto da campanha eleitoral com Ciro Gomes (PPS) no campo da economia política. O candidato tucano criticou os efeitos comerciais da Carta de Ouro Preto assinada por Ciro quando este ainda era ministro da Fazenda do governo Itamar Franco. O documento gerou prejuízos comerciais na relação do Brasil com os países do Mercosul, sobretudo com a Argentina no setor da indústria automobilística.

Perguntado sobre a Carta de Ouro Preto, Serra não hesitou em apontar as consequências ruins para a economia nacional. “Esta carta tem relação direta com os acordos do Mercosul e tem seus efeitos mais na indústria automobilística porque a Argentina tinha e ainda tem um regime automotriz fechado, com controle de importações e só poderia importar se exportasse. O Brasil não podia vender para a Argentina porque havia restrições de cotas. Ainda assim, o governo da época assinou o acordo de Ouro Preto”, lembra.

A crítica tem endereço certo em Ciro Gomes, o ministro que assinou a carta. “O Brasil não tinha regime automotriz e nenhuma forma de incentivo para a produção doméstica. Junto com isso foram rebaixadas as tarifas. Quando cheguei no governo depois com o presidente Fernando Henrique a indústria automobilística estava indo embora. A Ford procurou o governo FHC e disse que ia para a Argentina. Com o câmbio do jeito que estava na época era melhor produzir na Argentina. E isso foi provocado pela Carta Ouro Preto e outras medidas”, critica.

O acordo foi modificado no governo FHC, após a saída de Ciro do Ministério da Fazenda. “Nós não podíamos vender para eles e vice versa e fomos acusados de fazer um regime automotriz para favorecer São Paulo, como se isso fosse pecado, e as multinacionais. E quem disse isso foi o Ciro Gomes. O que aconteceu é que nós tomamos uma medida que descentralizou a indústria automobilística no Brasil pela primeira vez”, conta.

Serra comenta que a indústria, com isso, passou a se instalar em outras regiões como Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro. O fenômeno aconteceu com a Ford (Camaçari - BA), General Motors (Gravataí - RS), Mercedez Benz (Juiz de Fora - MG), Volkswagen (Resende - RJ). “As montadoras passaram a se instalar em outras regiões do País. Revertemos uma decisão equivocada do Ciro Gomes e enfrentamos na época as críticas a esse regime e o País passou a exportar mais do que importava em matéria de automóveis”, finaliza.

Balança de serviços

O candidato tucano também diz que vai atacar o déficit na balança de serviços do País, uma conta formada a partir da formação de itens como os juros da dívida, lucros e outros encargos.

Serra fala que vai atacar outros serviços como frete, transporte e turismo. “O Brasil tem um quinto do movimento de turismo do que tem o México e isso gera gastos ainda muito significativos do País lá fora. Temos que investir na promoção do nosso turismo lá fora para que os turistas visitem mais nosso País. O Brasil gasta só US$ 5 milhões na promoção e vamos elevar para US$ 80 milhões junto com a iniciativa privada”, menciona.

No setor de transportes o País também aumenta sua conta na balança de serviços. “O País gasta uma fortuna tendo indústria naval e empresariado competente e ainda traz de fora muitos equipamentos. Isso gera uma conta enorme na nossa balança”, conta.

Serra acha que o atual governo deve discutir um acordo de extensão com o Fundo Monetário Internacional (FMI). “Sou a favor do governo discutir um acordo que vá além da eleição porque isso não exigiria nenhum esforço adicional de nossa economia e porque isso aumenta a segurança econômica no nosso futuro e para os investidores”, conta.

O candidato a presidente da República reafirma que a administração FHC foi positiva para o País. “Ele colocou o País no rumo com a economia, avançou em políticas sociais e eu me orgulho muito de ter participado do governo. Fizemos mudanças profundas também na área da saúde. Mas o que temos para fazer ainda é muito mais do que fizemos”, comenta.

O tucano diz que só vai comentar pesquisas de intenção de voto com o início dos programas gratuitos de TV. “Eu vou comentar pesquisa só depois de avançado o horário eleitoral. Senão a gente não faz outra coisa e acaba não falando a respeito das questões do País. Vou manter essa postura até o momento da propaganda na TV. Mas é óbvio que pesquisas estão relacionadas com o aparecimento na TV neste momento”, disse.

Campanha

José Serra encontrou a comitiva do governador Alckmin no Calçadão da Batista. O senador atrasou a chegada a Bauru depois de fazer campanha em Araraquara. Alckmin veio de São Paulo e desceu em carreata antes de Serra para o Centro.

A partir da rua Virgílio Malta, Serra, Rita Camata, Geraldo Alckmin e outros passaram a cumprimentar a população conjuntamente.