08 de julho de 2026
Articulistas

Alca em debate


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A discussão envolvendo o Brasil e a Alca deve assumir papel de destaque junto aos novos congressistas a serem eleitos neste ano. O ponto fundamental nos debates reside na enorme dificuldade hoje existente para se identificar e se avaliar com toda a precisão os aspectos favoráveis e desfavoráveis associados a essa idéia.

Em primeiro lugar, ainda não se tem um quadro razoavelmente claro do que se pretende construir com a união dos mercados. No entanto, já se sabe que a Alca não terá o formato clássico de uma área de livre comércio, limitado à retirada das barreiras ao fluxo comercial entre os países membros. Em segundo lugar, não é exagero se afirmar que o processo de negociação está entrando, agora, em uma fase decisiva para a conformação do bloco. O fato de só agora entramos na fase substantiva das negociações não elimina a necessidade de buscarmos avaliar os benefícios e riscos potenciais e o ganhos e perdas esperados.

Isto posto, cabe enumerar os principais argumentos dos críticos, que desaconselhariam, a priori, de um ponto-de-vista econômico, a participação do Brasil na Alca. Pode-se identificar os seguintes elementos: Maior produtividade da economia americana; tendência da indústria brasileira em se especializar na produção de bens com menor conteúdo tecnológico; desindustrialização da economia brasileira; dificuldade em permitir o aprimoramento tecnológico da indústria nacional; perda da posição brasileira de global trader; possibilidade de aumento dos déficits em nossa balança comercial; maior atratividade, em termos comerciais, de um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Européia vis-à-vis à integração do Mercosul à Alca; e inexistência de grandes prejuízos para o Brasil em decorrência da não integração com os mercados americanos.

Em contrapartida, os principais argumentos, também a priori, em favor da participação do Brasil na Alca podem ser identificados nos seguintes pontos: Oportunidade valiosa para a derrubada de barreiras que impedem ou dificultam o acesso ao mercado norte-americano de itens importantes de nossa pauta de exportações, aumento da competitividade e da eficiência da economia nacional e aumento do influxo de investimentos.

Como se vê, a complexidade do projeto recomenda uma análise técnica e política acurada de todas as etapas e de todos os possíveis reflexos do processo. É imperioso que as discussões rejeitem posturas simplistas e pré-concebidas como a de adesão incondicional à integração, ou a oposição radical à idéia. É certo que as oportunidades que se abrem são inúmeras e relevantes, assim como os riscos. É forçoso que o país se prepare com seriedade para as difíceis decisões que, a partir de agora, se esperam dos empresários e da classe política. Acima de tudo, é preciso que o envolvimento total nas negociações da Alca seja, indubitavelmente, a estratégia dominante que se oferece à nossa sociedade. (O autor, Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque, 56, é doutor em Economia pela Universidade de Harvard - EUA)