09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Artigo - Adeus à hegemonia do dólar?


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O governo de George W. Bush está imprimindo maior velocidade no unilateralismo que já praticava. Depois de uma negativa sem precedentes em assinar o tratado que estabeleceu o Tribunal Penal Internacional (TPI), os Estados Unidos tentam agora que o Conselho de Segurança da ONU os exima expressamente de serem submetidos à jurisdição do TPI (e já obteve essa imunidade por um ano), enquanto Bush continua revogando tratados, incluindo os referentes às armas químicas e biológicas e aos mísseis antibalísticos.

Ao mesmo tempo, Bush escolheu como alvo altos dirigentes da ONU, incluindo Mary Robinson, que deverá deixar o cargo de Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Robert Watson, presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, e José Bustani, que liderou a Organização para a Proibição das Armas Químicas. Porém, o senador Jesse Helms está renovando seus esforços para impedir futuros pagamentos à ONU da dívida de mais de US$ 500 milhões de cotas atrasadas ainda pendentes.

A perigosa “guerra global” de Bush não pode ser controlada pelos eleitores norte-americanos, já que o sistema bipartidário está dominado por poderosos interesses: o Partido Republicano é cativo das corporações da energia e o Partido Democrata das empresas de telecomunicações, de Hollywood, etc.

A ONU é uma das mais preeminentes inovações do século XX e deve ser a base para um sistema multilateral reformado. Uma ordem planetária equilibrada deve centrar-se na reforma do sistema financeiro mundial, em estabelecer impostos às mudanças monetárias e em reduzir o insustentável papel do dólar como moeda de reserva internacional de fato, o que resulta destrutivo para todos os países, incluindo os Estados Unidos. Um regime de reservas monetárias mundiais baseado na paridade do dólar norte-americano e do euro seria uma solução viável. Isto, junto com uma nova emissão de Direitos Especiais de Giro (DEG) proposta por todos os países que integram o Fundo Monetário Internacional (FMI), com a única oposição dos Estados Unidos, poderia levar a uma maior estabilidade nos mercados monetários.

Os Estados Unidos, por outro lado, continuam exibindo vulnerabilidade em várias áreas desde 11 de setembro. De fato, aparece vulnerável aos ataques terroristas suicidas incubados por sua política no Oriente Médio e por sua dependência do petróleo importado, bem como pela erosão da confiança nos mercados de capital devido aos escândalos financeiros. O mais provável fim da hegemonia dos Estados Unidos pode ocorrer através de uma combinação entre os altos preços do petróleo (provocados pela política norte-americana no Oriente Médio) e por uma mais profunda desvalorização do dólar, que é prevista por muitos economistas.

Quais seriam os resultados desta situação hipotética? Os Estados Unidos não podem continuar sustentando seu enorme déficit comercial e ao mesmo tempo seguir travando sua “guerra global”. Assim, deixa de perseguir políticas unilaterais. Um novo governo inicia a volta à tradição multilateralista norte-americana, se reincorpora totalmente à ONU e pratica uma cooperação internacional mais realista.

Hazel Henderson é economista e autora de Beyond Globalization (Além da Globalização)