08 de julho de 2026
Saúde

Crescimento depende de movimento

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

De acordo com o professor de educação física da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Milton Vieira do Prado Júnior, uma das principais teorias do crescimento infantil é que não existe vida sem movimento. â€œÉ nos movimentos reflexos do bebê, logo nos primeiros dias e meses de vida, que os médicos podem avaliar se a criança tem um desenvolvimento normal ou não”, observa.

Segundo ele, no entanto, basta a criança começar a andar, ganhar liberdade e intencionalidade de ir a algum lugar para surgir a teoria familiar do “não pode”. Aí, ela não pode sair, não pode subir no sofá, não pode jogar bola dentro de casa e, com isso, deixa de executar várias atividades motoras que seriam fundamentais para seu desenvolvimento.

A violência, o desenvolvimento urbano e a necessidade que os pais têm de trabalhar estão deixando novas gerações de crianças cada vez mais trancadas e apáticas. Se até cerca de 40 anos atrás elas não saíam dos quintais e das ruas, onde eram livres, nos últimos anos, a maioria delas tem destinado quase todo o tempo à televisão e ao computador.

Esta situação tem resultado num grave problema de saúde para os pequenos: a obesidade infantil. Assustados com isso e preocupados com o crescimento dos filhos, muitos pais têm encaminhado as crianças logo nos primeiros anos de vida às “escolinhas” esportivas. Futebol, natação, basquete, balé, artes marciais, tênis e uma agenda lotada de compromissos.

De acordo com médicos e professores entrevistados, a preocupação dos pais com a atividade física dos filhos é muito importante. Porém, alguns estão errando na maneira como induzem a criança aos exercícios.

Por um lado, a especialização esportiva precoce, com excesso de regras, estressa a criança, que pode ficar com raiva dos exercícios para o resto da vida. Por outro, pode haver sobrecarga física, resultando em prejuízos ao crescimento, lesões e até deformidades futuras.

Especialistas salientam que existe um tempo certo para cada tipo de movimento, conforme as faixas etárias. E que pular fases significa deixar deficiente algum setor do desenvolvimento infantil.