08 de julho de 2026
Saúde

Resgatando velhos hábitos

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

A qualidade de vida e desenvolvimento das crianças exige que os pais resgatem alguns dos velhos hábitos de gerações passadas. Se a violência impede que os filhos fiquem na rua e o espaço restrito não permite que eles brinquem em casa, é preciso que a família acompanhe os pequenos a ambientes onde eles possam extravasar suas energias.

A pediatra Nabia Aparecida Sabbag lembra que o argumento dos pais para o sedentarismo é a jornada integral de trabalho. Muitos deles chegam em casa à noite, ligam o televisor e ali ficam até a hora de dormir. E quando o filho vem chamá-los para brincar ou conversar, eles dizem “psiu - estou assistindo à TV” ou “estou cansado, vamos deixar para outra hora”.

A médica adverte que, se o tempo de convívio dos pais com seus filhos é tão restrito, abolir a televisão é essencial. “Está provado cientificamente que a criança que fica mais de quatro horas por dia na frente da TV tem 20% mais chance de ser obesa. E ela fica sozinha”, comenta.

Ela sugere que os pais desliguem o televisor ao chegar em casa e convidem seus filhos para uma caminhada diária. Uma hora por dia faria muito bem à saúde de todos, com a vantagem de contribuir para a integração familiar.

O mais saudável, segundo os especialistas, seria a criança ter pelo menos um período do dia para brincar livremente, sendo estimulada em diversas atividades motoras. “O ideal seria que a escola fosse em tempo integral, sendo um período de aula e outro de brincadeiras. Mas, infelizmente, essa não é a nossa realidade. Então, os pais precisam procurar brincar com seus filhos”, destaca Sabbag.

Mas se não há tempo para dedicar horas diárias à brincadeira junto dos filhos, os pais devem fazer isso pelo menos aos finais de semana. Reunir primos, amigos e levar as crianças a parques, praças e clubes é uma excelente opção. O adulto pode coordenar as brincadeiras e deixar os pequenos livres aos mais variados movimentos.

Nos clubes, por exemplo, quadras, redes, traves, cestas, mesas, piscinas e bolas já estão à disposição. Basta formar as equipes e iniciar as partidas. “A brincadeira é sensacional, porque as crianças aprendem a se integrar e fazem ginástica aeróbica sem os altos impactos”, completa.

Os professores de educação física da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Henrique Luiz Monteiro e Milton Vieira do Prado Júnior, ressaltam que muitos pais referem-se ao período de dedicação aos filhos como perda de tempo. “Perdi um tempão jogando com meu filho”, exemplificam.

Eles ressaltam que passar algumas horas semanais estimulando o movimento nos filhos e brincando faz parte da educação e formação da criança. Portanto, deve ser encarado como investimento e não como perda.