07 de julho de 2026
Saúde

Função é da educação escolar

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Com pais e mães trabalhando, a maioria das crianças atravessa toda a fase de desenvolvimento motor reclusa, “guardada”, em creches e escolas. Para profissionais ouvidos pela reportagem, o modelo de ensino destas instituições precisa ser revisto, pois eles são contrários ao estímulo do movimento.

Estudos comprovam que bebês que passam muito tempo em creches demoram um pouco mais para adquirir firmeza muscular e sentar, por exemplo. Segundo as pesquisas, isso acontece porque os monitores, ao cuidar de vários bebês simultaneamente, não conseguem estimular a todos suficientemente.

O bebê que passa os primeiros meses com a mãe recebe mais estímulos, porque ela tende a brincar com ele por mais tempo, sempre que ele está acordado. A brincadeira incentiva o movimento e quanto mais movimentos ele faz, mais rápido ele aprende a controlar seu corpo.

“Depois vem a fase da pré-escola e ensino fundamental. As crianças têm que ficar sentadinhas, uma atrás da outra, durante quatro horas, quietas, em espaços muito limitados. Isso vai contra a natureza delas. E quando ela é colocada em espaços abertos, volta a teoria familiar do ‘não pode’, porque você tem uma professora tomando conta de 30 crianças e ela restringe os limites da brincadeira”, comenta o professor de educação física, Milton Vieira do Prado Júnior.

Ele ressalta que, mesmo o adulto, quando participa de uma palestra, por exemplo, dispersa sua atenção se alguém fala por muito tempo. Em meia hora, as pessoas mudam de posição na cadeira várias vezes. Para a criança, isso chega a ser um martírio.

“Para controlar o comportamento delas, muitos professores chegam a barganhar com a educação física, dizendo que quem não se comportar não participará dos exercícios. Eles fazem isso porque sabem que a educação física é o momento mais esperado do dia”, salienta.

Segundo ele, a avaliação do comportamento das crianças na hora do recreio escolar comprova isso. “São 15-20 minutos em que eles correm, gritam, trombam uns nos outros, porque é o curto espaço de tempo que têm para extravasar as energias”, ressalta.

A pediatra Nabia Aparecida Sabbag confirma o problema e observa que a maioria dos professores de educação física entrega uma bola aos alunos e os deixa brincar livremente. Ao invés de promover exercícios e estimular os movimentos fundamentais.

“Promover a atividade física é função da aula de educação física escolar. No entanto, os pais estão pagando academias e escolinhas de esportes para seus filhos para suprir essa deficiência”, alerta.