08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A comunidade na escola


| Tempo de leitura: 3 min

Há pouco tempo estive em visita a uma escola que, felizmente, não é desta região e tive o desprazer de ler cartazes escritos com letras bem torneadas e em negrito, expostos logo à entrada e em outras dependências com a seguinte advertência: â€œÉ proibida a permanência de pais no pátio”. Outras vezes, fato este que não deve ser novidade para ninguém, li em cartazes ou faixas afixados em portões, informações tais como: “Estamos em férias”; “Fechada”. Isto posto, venho expressar a minha satisfação pela reportagem inserida no caderno “JC nos Bairros”, logo no início das férias escolares, sob o título “Escola de porta aberta nas férias”, e pelas demais que vêm sendo publicadas, sobre o mesmo tema... Tais reportagens inegavelmente evidenciam não somente por parte dos repórteres como do próprio JC um racional e amadurecido entendimento do imprescindível e inadiável relacionamento que deve haver entre a escola e a comunidade. E por que considerar-se este relacionamento como imprescindível e inadiável? Porque escola é comunidade e comunidade é escola, realidades inseparáveis, segmentos de um corpo que é a sociedade propriamente dita. A escola não é “como” o segundo lar do aluno, como alguns poderão entender, pois deve-se considerar taxativamente que “também é o lar”. Existe uma diferença marcante e conceitual entre o “como...”, que seria uma afirmação comparativa, desejável e “também é o lar” que é peremptória, não pode suscitar dúvidas. Este é o entendimento que deve ser dado. Ainda mais, esse entendimento deve ser considerado inadiável porque não deve ser postergado, mas assumido de imediato. Barrar a entrada e permanência dos alunos em horários extra aulas, nos finais de semana, férias e outros períodos, seria o mesmo que os pais impedirem que os filhos permanecessem em casa nos horários livres empurrando-os para a rua; exigindo que eles voltassem só em determinados horários. As referidas reportagens mostram que este veículo de comunicação, Dirigente Regional de Ensino, diretores e demais funcionários da escola estão no caminho de um sintonizado agir em relação a esta realidade que nunca poderá ser desconhecida e desconsiderada. Muitas leis que regiam o assunto tornaram-se obsoletas e ultrapassadas, não se adequando mais à realidade presente e futura. Muito embora os poderes públicos mantenham-na do mesmo modo que a própria comunidade poderia fazê-lo, a escola é dos alunos, pais, professores, funcionários, enfim, dos que ali mourejam diuturnamente e dos que residem em suas proximidades. O poder público é apenas o mantenedor. Obviamente a racionalização de sua utilização e a ordem são necessárias à interação de todos na escola.

Suas quadras, salas de aula e demais dependências devem ficar abertas aos alunos, pais, funcionários, à comunidade. Principalmente nos finais de semana ela deveria funcionar como um pólo, um clube social. Aberta para casamentos, batizados, bailes, competições e outras confraternizações com a participação efetiva de pais e alunos. Pais na escola representam colaboração em todos os sentidos, vida e segurança. A multiplicidade das habilidades e especializações dos pais e mães constitui um riquíssimo manancial, uma riqueza que inteligentemente deve ser aproveitada em benefício da escola, dos alunos e dos próprios pais. Duas condições são necessárias para que a escola exista nesses moldes ideais: entrosamento entre direção, Associação de Pais e Mestres, Grêmio Estudantil e regulamentação local para disciplinar o seu uso. Entender e agir ao contrário é o mesmo que patinar no tempo e espaço, permanecendo em concepções ultrapassadas. (Prof. Joaquim Eliseo Mendes - supervisor de Ensino aposentado - RG. 2.783.300)