11 de julho de 2026
Articulistas

Sexos descasados...


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O problema enfocado pelo título da matéria não deve ser desconsiderado, pois ganha espaço na sociedade cada dia que passa, enveredando desmedidamente através das frestas de janelas que o crescimento das populações vai escancarando nos ambientes sociais, além de outros, pelos quais, reconhece-se, penetram nuvens escuras, sem dúvida nenhuma... Mas, não tomam conhecimento da sua proporção nem os cartórios de registro civil e correlatos, porque bem poucos descasamentos, desinibidos quanto possam, são levados ao seu referendo pelos litigantes ou divergentes. Então, a quase totalidade das separações conjugais é mantida “intra-muros”, acompanhando a revolução dos ventos, posto que aí não entra nem um pouco a advertência evangélica segundo a qual o matrimônio é irrevogável. É por isso que ninguém o conta para ninguém, só se ficando sabendo da ocorrência quando a desvinculação se processa mediante desquite legal. Atente-se, porém, para as pesquisas e resultados dos recenseamentos demográficos, realizados decenalmente no País, e constatar-se-á que a fila de maridos e mulheres que romperam suas ataduras matrimoniais e, logo em seguida, reuniram seus trapinhos a outros congêneres, chega a vários milhões. Os censos não guardam segredos, sabemos disso porque já trabalhamos no IBGE.

Pergunta-se quais os motivos que resultam no problema, diante do qual o esposo bate asas por ter se apaixonado pela jovem que viu através do vitrô do vizinho, e a esposa, por seu turno, troca de companheiro porque se engraçou com o professor de sua universidade. Muito se tem procurado encontrar a sua lógica, debruçando-se sobre ela os humanistas mais estudiosos, que a debitam a conceitos de afinidades, que nunca deveriam evaporar-se dos corações daqueles que um dia se uniram na expectativa de o estar fazendo por todo o sempre. “Os seres de ambos os sexos precisariam ater-se sempre a tais conceitos, no namoro e no casamento, para celebrarem um enlace realmente perfeito, impossível de ser desfeito sob prismas subalternos - opinam os analistas - a fim de que mantenham, até mesmo na velhice, o sabor dos primeiros beijos, o calor dos abraços e a sensação das necessidades sexuais, bem como nos seus pertinentes diálogos conjugais. Conseqüentemente, não venham a sentir jamais tentações de infidelidade e desamor que possam encaminhá-los para os rumos das separações”. É também a nossa opinião. (O autor, N.Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos velhos Jornalistas do Estado)