09 de julho de 2026
Geral

Bauru perde de 500 a 700 hectares de mata em 5 anos

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Nos últimos cinco anos, entre 500 e 700 hectares (666 E 1.000 campos de futebol) foram desmatados no município de Bauru. A constatação é do Instituto Ambiental Vidágua, organização não-governamental que elaborou um mapa aéreo da região de Bauru com base em imagens geradas por satélite pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A área desmatada nos últimos cinco anos foi quantificada após a comparação entre o mapa do Vidágua com outro, de 1996, feito pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), também com base em imagens do Inpe, explica o vereador Rodrigo Agostinho, membro da ong.

“Comparamos as áreas em cor verde, que são as matas, existentes no primeiro mapa com as deste novo mapa. Verificamos que muitas delas desapareceram”, diz. Rodrigo ressalta, no entanto, que existem desmatamentos autorizados e outros irregulares.

Os desmatamentos autorizados na área urbana referem-se a áreas liberadas por órgãos ambientais para fins de loteamentos, como foi o caso do Núcleo Bauru 1 e do Jardins do Sul. “Alguns são loteamentos aprovados há muitos anos, mas que só agora estão sendo desmatados para a construção de imóveis, como é o caso da Vila Aviação e Parque Manchester”, diz.

Os desmatamentos na zona rural são os de maior probabilidade de terem sido feitos ilegalmente, explica Rodrigo. “Pelas imagens já identificamos uma área desmatada, mas que tem uma cortina de vegetação. Tudo indica que é irregular. Agora vamos fazer um trabalho de formiguinha para identificar os proprietários de cada uma das áreas desmatadas e checar se eles tinham ou não autorização ambiental para desmatamento”, afirma.

O Vidágua, avisa Rodrigo, vai enviar aos órgãos ambientais competentes uma lista com os nomes dos proprietários de imóveis onde ficar constatado que o desmatamento foi feito ilegalmente. “Sendo irregular, vamos encaminhar esses casos para a Polícia Federal, que é o órgão responsável pela fiscalização e autuação em casos de desmatamento”, frisa.

Nos próximos dias, adianta Rodrigo, o Vidágua entregará uma cópia do mapa a todos os órgãos ambientais de Bauru que fazem a fiscalização. “O mapa será mais um instrumento de fiscalização para esses órgãos”, afirma.

Comparando-se os dois mapas, o Vidágua encontrou muitos pontos de desmatamentos. A maioria, segundo Rodrigo, fica na bacia hidrográfica do rio Batalha, principalmente abaixo do ponto de captação de água para abastecimento de Bauru.

O mapa mostra, inclusive, o novo aeroporto de Bauru. Em cor mais escura, é possível ver a pista às margens da rodovia Bauru/Iacanga, assim como rios que cortam a cidade e lagoas. As matas nativas, segundo Rodrigo, são as áreas em verde mais escuro enquanto as de tonalidades mais claras são as de eucaliptos, plantados para fim de exploração.

Na região, há outra tonalidade de verde, que representa extensas áreas de plantação de cana-de-açúcar. As áreas em tons de marrons escuro referem-se a pontos desmatados e as em rosa claro a faixas de pastagens.

Serviço

O Vidágua vai oferecer o mapa a preço de custo (do CD-room ou da impressão) aos interessados. O instituto fica na avenida Cruzeiro do Sul, 26-40, telefone (14) 3218-2633. O site da ong é o www.vidagua.org.br

Imagens por satélite

O Vidágua elaborou o mapa aéreo da região de Bauru quase sem custo, conta Rodrigo Agostinho. Ele diz que o Inpe fornece as imagens brutas feitas por seus satélites. Porém, para se chegar a um mapa com condições de ajudar a acompanhar o desmatamento é preciso tratar as imagens, um processo bastante caro, segundo ele.

Mas o Vidágua conseguiu as imagens já tratadas com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o que permitiu a elaboração do mapa sem custos. “Nós recebemos da Embrapa quase 50 imagens já tratadas. Tivemos que adaptá-las à linguagem que escolhemos para fazer o mapa. Depois unimos uma a uma, para formar o mapa”, revela.

As imagens foram tiradas pelo satélite denominado Lang Sat TM, do Inpe. Esse satélite é usado para monitorar o uso e ocupação de solo no Brasil. O Vidágua vem acompanhando o desmatamento na região de Bauru a partir do mapa feito pela Semma em 1996 e outro, de 1998, elaborado pela própria ong.