O preço mínimo da cesta básica verificado em Bauru no mês de julho foi de R$ 147,77. O valor é 4,1% superior aos R$ 141,89 registrados em junho. Trata-se do maior valor mensal desde que o Data-ITE - vinculado à Faculdade de Ciências Econômicas da Instituição Toledo de Ensino (ITE) - passou a fazer a pesquisa sobre o preço mínimo da cesta básica, em julho de 1999. Na comparação com o mesmo período do ano passado - quando o valor mínimo foi de R$ 135,54 -, a cesta básica de julho deste ano é 9,02% mais cara.
De acordo com os economistas e professores da ITE Reinaldo César Cafeo e Herman Vos, que são os coordenadores da pesquisa, o principal fator que influenciou no resultado de julho foi a alta de 5,63% do grupo alimentação, que fechou o mês valendo R$ 109,33, contra os R$ 103,50 de junho deste ano. Na comparação com julho de 2001, a alta é ainda mais expressiva e preocupante: 9,48%.
“No mês de junho, o grupo alimentação apresentou estabilidade. Contudo, em julho a alta foi expressiva. Isso quer dizer que, justamente o grupo que vinha - pelo seu peso total na cesta, que é de aproximadamente 70% - mantendo o preço da cesta básica na casa dos R$ 145,00, desgarrou de sua média histórica e elevou o valor para R$ 147,77, ficando perto dos R$ 150,00. É o maior valor mensal registrado desde julho de 1999â€, afirma Cafeo.
O grupo limpeza doméstica somou R$ 22,60 em julho, valor 2,16% inferior ao do mês de junho, que foi de R$ 23,10. “Esse grupo, que observou elevação de 5,9% em junho e agora teve queda de 2,16%, demonstra que os estoques remanescentes não foram contaminados pelas altas do dólar observadas em julhoâ€, avalia o economista.
Aumento de custos
Já o grupo higiene pessoal fechou em R$ 15,84, o que significa crescimento de 3,6% sobre o mês de junho deste ano (R$ 15,84 x R$ 15,29). “O grupo de higiene pessoal teve alta bem acima da inflação do período. Isso mostra que se trata de um segmento que já começa a sentir mais fortemente o impacto dos custos industriais. É importante considerar que os ciclos de aumentos, forçados em parte pelas altas de custos industriais, são primeiramente sentidos no atacado (detectado por exemplo pelo IGP da FGV, que possui 60% de peso dos preços por atacado) para depois, quando há espaço, serem verificados nos preços ao consumidor finalâ€, pondera Cafeo.
De acordo com ele, as altas (isoladamente, sem considerar o peso sobre a cesta básica total) mais expressivas registradas em julho foram da cebola (37,1%); ovos (36,4%) e feijão (30,9%). As maiores baixas ficaram com a batata (15,6%); o detergente (11,1%) e a margarina (10,9%).
Se for considerado o peso relativo, ou seja, a quantidade e valor sobre o total da cesta (ponderação), observa-se que o feijão puxou a alta da cesta básica em 1,5% e, o arroz, em 1,1% (os mais expressivos). A maior queda relativa (ponderada) foi a da carne, com 0,4%. Ou seja, os dois componentes básicos para o brasileiro, arroz e feijão, puxaram o valor da cesta básica para cima.
Discrepância
“A discrepância dos preços de alguns produtos, verificada entre os diversos supermercados consultados durante a realização da pesquisa, continua elevada. Os valores mínimos levantados, se comparados aos preços máximos, apresentam oscilações absurdas: a batata varia 213,2% entre os supermercados, a cebola 202,1% e o alho 122,3%â€, destaca Cafeo.
A região que em julho apresenta o menor valor da cesta básica no quadro geral é a Central, com R$ 172,21. Esse número é 16,5% maior que a média da cidade. Já a região Leste ficou com o maior preço da cesta básica neste mês: R$ 183,87, o que significa estar 24,4% acima da média registrada em Bauru.
“Considerando toda a instabilidade no câmbio, já era de se prever a tentativa de repasse de aumentos dos custos para os preços. Esse fato somente não impactará significativamente na cesta básica em Bauru devido ao baixo poder aquisitivo da população. Isso faz com que, se os preços subirem muito, as pessoas diminuirão o consumo ou buscarão produtos substitutos, forçando a formação de estoques ou promoções para atrair o consumidorâ€, analisa o economista e professor da ITE.