Ciro Gomes comentou ontem que a desvalorização do Real e a necessidade de quitar compromissos em dólar deixa o país à beira do colapso financeiro. Para o candidato, a única saída momentânea, antes de reformar o atual modelo econômico, é o Governo Federal conseguir moeda americana suficiente para a cobertura dos compromissos.
Ciro define a questão. “Neste instante, dentro deste modelo, o governo tem que arranjar dólar. Onde for possível. Eu condeno o modelo, mas para preservar o país neste instante a saída é encontrar mais dólar. O governo não tem outro jeito. Tem que arranjar dólar para suprir as necessidades das contas do país neste anoâ€.
Para isso, o presidenciável entende que um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) só faz sentido se o volume de moeda americana for suficiente para cobrir as contas. “O acordo com o FMI só fará sentido se eles deram ao Brasil os dólares suficientes para o país domar a crise cambial. O Brasil não tem encontrado dólar para pagar. Isso é físico, é real, não é efeito da eleição e não tem nada a ver com a oposição. Agora, eu não sou governo e não vou me domesticar com uma carta que o amigo Lula foi obrigado a fazer. Eu não entregoâ€.
Ajuda para crise
Ciro diz que está disposto a colaborar, mas ressalta que não é governo. “Estou disposto a colaborar com o que estiver ao meu alcance. Mas onde posso colaborar quem tem que dizer é o governo, pois eu não governo. A única autoridade do governo que me procurou e eu conversei é o presidente do Banco Central, Armínio Fraga. Acho que o que pega é catapora. Conversar não tem problema nenhumâ€, contou.
O ex-ministro da Fazenda critica o rombo. “Este modelo econômico ruinoso, contra o qual eu me bato a sete anos, vai produzir só para este ano um rombo para as contas externas do Brasil, para ser pago em dólar, de US$ 21 bilhões. A explosão da dívida que o governo atual induziu pela manipulação do câmbio com o empresariado privado se endividando em dólar faz para este ano compromissos para o Brasil de US$ 27 bilhões com amortizações. As necessidades externas de dólar do Brasil este ano são de US$ 48 bilhõesâ€, explica.