O deputado federal Aloizio Mercadante (PT), candidato ao Senado, faz uma previsão desanimadora dos resultados da turbulência econômica que assola o Brasil. Para ele, o País está à beira de um colapso financeiro.
Ontem, o parlamentar fez campanha em Bauru ao lado do senador Eduardo Suplicy (PT) e de candidatos petistas à Assembléia Legislativa e Câmara dos Deputados.
Mercadante diz não ter dúvidas de que se o governo não intervir de maneira ágil e segura para estancar a crise econômica, o País será a próxima vítima do mercado especulativo financeiro internacional.
O petista defende a intervenção imediata do Palácio do Planalto e critica setores do governo que articulam a aplicação de medidas somente após as eleições deste ano.
“Uma empresa que tem receita em Real, dívida em dólar e uma desvalorização nessa velocidade, se ela não tiver uma proteção não terá como honrar seus compromissosâ€, alerta.
Segundo ele, muitas empresas estão pagando suas dívidas em cash. “Elas são obrigadas a pagar à vista uma dívida que se esperava continuar rolando. É uma pressão muito grande sobre o setor produtivo e sobre a moeda nacional.â€
O deputado diz que isso tem como conseqüência o aumento da procura pelo dólar no mercado. “As reservas cambiais caem a partir desse momento porque não há um fluxo de entrada recursos. E mais grave: nem nos anos 80, quando o Brasil decretou moratória, as linhas de crédito comercial que financiam as exportações foram cortadasâ€, completa.
Sufoco
O candidato a senador explica que o País está sendo sufocado do ponto de vista do financiamento internacional. “Essa crise é mais grave do que a do México, da Ásia, da Rússia. Além do colapso da Argentina, do Estado de Sítio no Paraguai, do feriado bancário no Uruguai, a crise também atinge a economia norte-americana, que é o coração da economia capitalista internacional.â€
Mercadante afirma que é um erro o País esperar a posse do novo presidente para enfrentar a crise. “Não podemos esperar cinco meses. O Brasil precisa tomar medidas para enfrentar essa crise imediatamenteâ€, defende.
Na reunião que manteve há poucos dias com o presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, o deputado sugeriu linhas básicas para enfrentar a turbulência financeira.
“Nós só sairemos dessa crise cambial se o Brasil exportar mais. O País precisa vender mais; precisa melhorar a qualidade do que vende e precisa fazer um grande estímulo na política de exportações para gerar dólaresâ€, opina.
O petista informa que o Congresso Nacional retorna do recesso parlamentar na próxima terça-feira votando uma mini-reforma tributária. “Temos que reduzir parcialmente a carga tributária acumulativa do setor exportador. Com isso, nós daríamos mais estímulo às exportações.â€
Ele também sugeriu ao presidente do BC que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) amplie a linha de financiamento do setor exportador. “São R$ 2 bilhões já esgotados. O banco tem de colocar recursos para o setor.â€
Mercadante acredita que o BC ao irrigar o mercado ofertando dólares deveria dirigi-los ao setor exportador. “Isso porque o dólar do setor exportador vai voltar. Antecipa-se o crédito com retorno para a economia e realimenta nossas reservas.â€
‘Vulnerabilidade’
O deputado federal Aloizio Mercadante discorda daqueles que acham que a turbulência econômica que estremece o País está diretamente relacionada ao processo eleitoral deste ano.
“Está claro para todo mundo. Trata-se de uma crise internacional. Ela atinge o Brasil com essa intensidade pela vulnerabilidade que o Brasil se encontra. Nada a ver com o processo eleitoralâ€, avalia.
O parlamentar lembra que a Argentina não estava em processo eleitoral quando entrou em colapso financeiro. “O Uruguai não tem eleição e decretou feriado bancário; o Paraguai não tem eleição e está em Estado de Sítio. A crise é muito mais profunda.â€
Ele conta que os Estados Unidos, há um ano, tinham um superávit primário de US$ 130 bilhões. “Hoje tem um déficit de US$ 165 bilhões. Isso mostra a dificuldade do governo norte-americano de reagir à crise.â€
O petista afirma que a turbulência atinge o Brasil devido o nível de dependência ao capital externo especulativo. “Antes mesmo da eleição a crise está se intensificando. Por isso que nesses cinco meses o País não pode parar. Nós temos de cobrar do atual governo, até 31 de dezembro, a responsabilidade da política econômica.â€