11 de julho de 2026
Polícia

Instalação da Corregedoria da Polícia Civil desfalca delegacias

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O 2.º Distrito Policial de Bauru está com apenas um delegado para atender 125 mil habitantes da área Leste da cidade. O delegado-assistente Roberto Cabral Medeiros foi designado para a Corregedoria da Polícia Civil, assim como o delegado Renato Cagnacci Filho, plantonista da Seccional.

A corregedoria é um órgão da Polícia Civil para apurar supostas infrações praticadas pelos policiais. A carência de delegados atinge sete cidades da sub-região. O preenchimento das vagas poderá acontecer só no final do ano.

A instalação da Corregedoria da Polícia Civil em Bauru vai agravar o desfalque de delegados na cidade e sub-região. Dois deles já foram designados para a corregedoria e aguardam a inauguração, prevista para este final de semana, para começar a trabalhar.

Além dos delegados, dois escrivães da Delegacia Seccional de Bauru foram designados para a corregedoria. Segundo o diretor do Departamento Polícia Judiciária do Interior-4 (Deinter-4), Anivaldo Registro, a corregedoria ficará desvinculada do cotidiano da polícia.

A preocupação com as infrações cometidas pelos policiais é tanta por parte do governo que criou-se a corregedoria em Bauru. O que muitos desconhecem é que 80% dos serviços de corregedoria na cidade são gerados pelos serviços carcerários, ou seja, fugas ou supostas facilitações de fugas.

Com a criação do Centro de Detenção Provisória (CDP) em Bauru, previsto para ser entregue no final do ano, os presos que hoje estão nas cadeias e funcionários dessas unidades passam ser de responsabilidade da Secretaria da Administração Penitenciária e a corregedoria terá 80% a menos de serviços.

Embora o delegado seccional, Antônio Ângelo Ciocca, não tenha se pronunciado sobre o assunto, sabe-se que em dois anos foram instaurados menos de dez sindicâncias para apurar supostas infrações cometidas por policiais civis em Bauru. Uma delas referiu-se à suspeita de facilitação de fuga, no final do ano passado, na Cadeia Pública de Bauru. O caso foi motivo de inquérito, concluído em 30 dias e remetido ao Judiciário com o pedido de prisão preventiva.

Segundo o diretor do Deinter-4, a corregedoria vai atender Bauru e região. “Precisa de três delegados porque aquele que faz a sindicância não pode presidir o processo”, diz.

Para investigar as infrações cometidas pelos policiais, a corregedoria ganhou três viaturas. Número igual tem o 2.º Distrito Policial para atender 125 mil habitantes e investigar as 600 ocorrências registradas mensalmente, em média, naquela região da cidade.

Sabe-se, mesmo sem a confirmação do delegado titular do 2.º DP, Antônio Piccino Filho, que das quase três mil ocorrências registradas anualmente, cerca de 50% geram inquéritos que requerem investigações.

Vagas serão preenchidas

Anivaldo Registro, diretor do Deinter-4, espera a conclusão da turma de delegados que está na academia de polícia para preencher as vagas da sub-região. “A Delegacia Seccional de Bauru perdeu dois delegados, mas ganhou dois”, afirma ele.

Ele conta que a delegada Marilda Pinheiro e o delegado Donizete José Pinezzi foram transferidos para a Seccional de Bauru. As sete vagas da sub-região poderão ser preenchidas no final do ano. “Uma turma de 180 delegados vai concluir a academia no final do ano. Este número é para o Estado todo”, ressalta.

Solução doméstica

Para amenizar a falta de delegados, sabe-se que os lotados na sub-região estão ajudando o titular do 2.º DP. A solução doméstica sobrecarrega os delegados que não podem dar a atenção devida aos problemas de seus distritos.

O delegado de Pirajuí, por exemplo, atende também Balbinos; o de Iacanga atende Reginópolis; o de Piratininga atende Arealva, e assim por diante. Para piorar a situação, os delegados também fazem plantões na Delegacia Seccional, nos finais de semana e feriados.

Cidades sem delegados

• Reginópolis

• Cabrália Paulista

• Presidente Alves

• Arealva

• Ubirajara

• Paulistânia

• Balbinos